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Justiça

Caso Toni Flor: começa o julgamento da empresária que mandou matar o marido

Foto de Natália Araújo
Natália Araújo

Começou na manhã desta segunda-feira (17), em Cuiabá, o julgamento de Ana Cláudia de Souza Oliveira Flor, empresária acusada de encomendar a morte do marido, Toni da Silva Flor. A primeira testemunha a ser ouvida foi o delegado Marcel Oliveira que foi o responsável pelas investigações do crime.

O policial reafirmou que Ana Cláudia foi a responsável pela encomenda da morte de Toni por R$ 60 mil e frisou que a mulher, em seu interrogatório, não admitiu sua participação. Ao ser questionada sobre um boletim de ocorrência sobre violência doméstica, a mulher disse que, na ocasião da briga, houve uma agressão mútua e negou que fosse agredida constantemente pelo marido.

Oliveira lembrou ainda que no dia da prisão de Igor Espinosa, o atirador, a mulher falou com a sogra e disse que o rapaz deveria ser morto. A declaração foi obtida através do monitoramento do telefone de Ana Cláudia e reafirmada pela irmã de Toni.

“Ela dizia que tinha que matar o Igor porque ele sairia pela porta da frente, pois teria sido preso não pelo assassinato, mas por ter rompido a tornozeleira eletrônica”, conta o delegado.

Toni Flor foi morto em agosto de 2020, quando chega a uma academia, na Capital. Primeiramente, houve a suspeita de que o rapaz teria sido confundido com um policial que treinava no mesmo local. Porém, durante as investigações, a Polícia Judiciária Civil (PJC) descobriu que se tratava de crime motivado pelo interesse de Ana Claudia em ficar com todos os bens do casal.

O delegado lembrou que após o crime, a viúva realizou uma carreata e fez camisetas pedindo justiça pela morte de Toni. Contudo, pouco tempo após o óbito, Ana Cláudia teria vendido bens do marido.

Delegado Marcel Oliveira conduziu as investigações do assassinato (Foto: Reprodução)”Começamos a ouvir familiares e amigos que afirmaram que Toni estava decidido a se separar e teria falado sobre isso com Ana Cláudia. Alguns prints de conversas, até mesmo com a irmã, demonstram que isso seria real e ele, inclusive, já teria conhecido outra pessoa, legal, família. Ele queria se separar mas tinham que preservar as filhas”, disse o delegado, frisando que a irmã de Toni juntou as imagens ao processo.

Denúncia anônima

O delegado contou que recebeu uma denúncia anônima e que a pessoa indicou Igor como o responsável pelos assassinato de Toni. O rapaz, inclusive, foi reconhecido por uma testemunha que relatou ter visto o jovem próximo a academia, dias antes do crime.

Oliveira comentou que Igor, quando preso, confessou o crime e relatou a dinâmica dos fatos. O jovem afirmou que Wellington Honoria Albino foi o responsável por fazer a comunicação de interesse de Ana Claudia em encomendar a morte do marido e Dieliton Mota da Silva, disponibilizou a arma utilizada na empreitada criminosa.

O crime teria sido encomendado por R$ 60 mil e cada um receberia R$ 20 mil. O pagamento, de acordo com o delegado, teria sido feito em espécie. Dieliton teria pego a parte de Igor. Não houve movimentação bancária na tentativa de não deixar vestígios.

Wellington (à esquerda), Dieliton (ao fundo) e Igor (a frente) estão presos na Penitenciária Central do Estado (Foto: Reprodução)

Ediane Aparecida da Cruz Silva, manicure de Ana Cláudia, segundo a polícia, teria feito o contato com Wellington, que se recusou, mas disse que conhecia alguém que faria o serviço.

Em suas declarações no júri, o delegado reforçou que Ana Cláudia alegou que era agredida constantemente para despertar simpatia dos executores. Os homens, inclusive, reafirmaram que aceitaram a empreitada porque a mulher seria vítima de violência doméstica.

Após a prisão de Igor, segundo o delegado, Ana Cláudia demonstrou muito nervosismo, desespero e angústia, quando estava na delegacia. Mas em entrevista para uma emissora de televisão, disse estar aliviada e grata porque “a Justiça estava sendo feita”.

Processo desmembrado

O julgamento desta segunda-feira é apenas de Ana Cláudia. Os demais envolvidos, Igor, Wellington, Dieliton, Ediane serão julgados em outro momento.

A empresária responde por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, praticado contra o cônjuge, além de concurso de pessoas (juntar indivíduos para praticar um crime).

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