Silval Barbosa nega ter roubado R$ 1 bilhão de dinheiro público em MT

Ex-governador lembra que não foi o único que se beneficiou e afirma ter entregado a todo mundo

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa afirmou que não embolsou R$ 1 bilhão com o esquema criminoso de corrupção desmantelado pela Operação Sodoma. De acordo com o ex-chefe de estado, ele sequer teria levado os R$ 70 milhões a que foi condenado devolver aos cofres.

As afirmações de Silval foram feitas na tarde de terça-feira (21), após passar por audiência na Vara de Execuções Penais (2º Vara Criminal) de Cuiabá, para progressão da sua pena. Depois de 3 anos e 8 meses preso em regime fechado e domiciliar, ele conquistou o direito ao semiaberto, e agora está livre.

À imprensa, o ex-governador criticou o fato de ser constantemente ligado à cifra de R$ 1 bilhão, apontada pelo Ministério Público como o valor estimado dos desvios cometidos em Mato Grosso.

[featured_paragraph]“Eu relatei R$ 1 bilhão e pouco e a imprensa coloca que o Silval Barbosa roubou R$ 1 bilhão e pouco, que eu roubei. Não, eu relatei os atos ilícitos de empresas, inclui todas as empresas a que foram concedidos os incentivos, as desapropriações, para onde foram os recursos e quem foi beneficiado”, disse. [/featured_paragraph]

De acordo com Silval, por sua participação no esquema, do qual foi apontado como líder e sentenciado em dois processos a uma pena que ultrapassa 25 anos de reclusão, ele não teria saído nem mesmo com o valor que é obrigado a devolver.

Pelo acordo de colaboração premiada, firmado com o Ministério Público Federal e homologado pelo Supremo Tribunal Federal, Silval Barbosa deve restituir o Estado em R$ 70 milhões, dos quais R$ 46 milhões seriam pagos com a entrega de bens, que ainda não foram transferidos. Segundo o ex-governador, ele não teria o montante exigido e, para honrar o compromisso, teve que entregar bens familiares.

“O que eu estou devolvendo é infinitamente maior do que aquilo que eu me apropriei. Tanto é que estou pagando com bens da família, adquiridos em mais de 25 anos, para eu poder honrar o que o Ministério Público Federal e Estadual e a Justiça elencaram que seria o valor a ser devolvido. Agora, quem tem que devolver, e já estão devolvendo essa diferença que eu relatei na minha colaboração, são as empresas”, afirmou.

De acordo com o promotor de Justiça Mauro Curvo, em sua gestão como procurador-geral de Justiça o Ministério Público do Estado teria conseguido recuperar cerca de R$ 2 bilhões desviados por meio de corrupção. O MPE também tem feito acordos de leniência com empresas, a fim de recuperar os valores desviados por meio de concessão de benefícios.

Condenação branda

Silval Barbosa também rebateu os comentários feitos pela senadora Selma Arruda (PSL), que até abril de 2018 era a juíza a frente da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Selma foi a responsável pelas duas condenações que pesam contra o ex-governador. Uma, de 13 anos e 7 meses, por organização criminosa, lavagem de dinheiro e concussão (recebimento de vantagens indevidas/propina). A outra, de 14 anos, 2 meses e 21 dias, por fraude em licitação e, novamente, recebimento de propina.

Na segunda-feira (20), quando esteve em Cuiabá, Selma criticou o fato de Silval ter conseguido o direito a progressão de pena e já estar livre para circular entre a população. Segundo a senadora, ele teria recebido uma condenação muito branda e foi agraciado com um “presente de papai noel”.

À senadora, Silval lembrou: “Foi ela que arbitrou o que achou que eu cometi de ilícito, que arbitrou fiança e decretou o perdimento. Também foi ela que me tirou do CCC [Centro de Custódia da Capital] e me mandou para casa”.

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