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Justiça

“É uma sensação de alívio e também de arrependimento”, diz Ana Claudia sobre a morte do marido, Toni Flor

Foto de Natália Araújo
Natália Araújo

“É uma sensação de alívio e também de arrependimento”, assim definiu a situação em que vive atualmente, Ana Cláudia de Souza Oliveira Flor, em seu interrogatório durante seu julgamento. A empresária reforçou que chegou a encomendar a morte do marido, Toni da Silva Flor, mas negou que tenha dado a ordem para a execução do crime.

A ré, durante o julgamento nessa segunda-feira (17), negou interesse financeiro e disse que era vítima de violência doméstica. Por isso teria pensado na possibilidade de ficar sem o marido após mais uma briga.

Toni Flor foi morto em agosto de 2020, quando chega a uma academia, na Capital. Primeiramente, houve a suspeita de que o rapaz teria sido confundido com um policial que treinava no mesmo local.

Os argumentos apresentados por Ana Cláudia em seu julgamento foram os mesmos relatados durante a instrução processual. A empresária e suas testemunhas de defesa, destacaram uma face violenta e bastante ciumenta de Toni.

Em um dos relatos, Sergio Tadashi, uma das testemunhas, contou quando foi agredido e ferido por Toni que desconfiava haver um caso extraconjugal entre a vítima e Ana Cláudia.

Sergio foi ferido com uma garrafa quebrada, no abdômen e rendeu um corte com 32 pontos. A testemunha, em seu depoimento, disse que o relacionamento teria sido com um funcionário. A ré nega essa e qualquer outra traição.

A mulher disse que o marido não comunicou nenhum interesse em se separar. Além disso, afirmou que tentou sair do casamento, mas Toni teria feito ameaças e por isso, não foi embora com as crianças.

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Briga e plano de morte

(Foto: Acervo pessoal)

Ana Cláudia contou, novamente, que teve uma briga com Toni e ele saiu de casa. Porém, teria retornado ao imóvel, entrado enquanto a mulher e as filhas dormiam, tirado uma foto e feito uma ameaça.

“Tá vendo, eu te mato a hora que eu quiser (sic)”, disse a ré em seu interrogatório.

A empresária então foi para a casa de Ediane Aparecida da Cruz Silva, sua manicure. “Ela disse que poderia me ajudar e começou o contato com o Igor (Espinosa)”, contou sobre o rapaz acusado de desferir os tiros contra Toni. “Eu não sabia o nome, só soube depois da prisão”, completou.

Ana Cláudia disse ainda que o rapaz que estava aceitando a empreitada teria questionado a motivação do crime.

“Eu falei que era eu ou o Toni. Ele perguntou o motivo e eu falei que era violência doméstica”, argumentou. O rapaz teria dito que não cometeria a execução, caso o objetivo fosse a mandante ficar com um amante ou herança.

Sem participação

Ana Cláudia disse que ela e o marido reataram o relacionamento e nada mais foi conversado com Igor sobre o crime. Por isso, quando Toni foi ferido, não pensou que tivesse ligação com o pedido. Afinal, não havia feito nenhum pagamento.

Os R$ 60 mil cobrados pelo atirador e seus intermediários foram pagos em novembro de 2020 e em fevereiro de 2021, sob chantagem, disse a mulher.

“Uns 40 dias antes eu tinha falado sobre a morte, mas eu não dei a ordem”, destacou. Além disso, Ana Cláudia negou também que tenha informado alguém sobre o treino de Toni, na manhã daquela terça-feira. “Eu soube que ele ia treinar aquele dia. Eu não fiquei sozinha para falar com alguém, primeiro estava com o Toni e depois, a Viviane (cunhada) chegou”, complementou.

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Culpa

(Foto: Acervo pessoal)

Ana Cláudia contou que foram 15 anos de relacionamento com Toni. A mulher elencou qualidades do marido, como trabalhador, extrovertido, uma pessoa boa, mas ao mesmo tempo muito difícil.

Após mais de um ano presa pela morte do marido, Ana Cláudia definiu que vive um conflito interno, pois, sente um misto de “alívio e também de arrependimento”.

“Quando Toni faleceu eu não achava que era culpa minha. Me doeu e me doi. Não era esse o caminho que eu queria para mim, para ele e para as nossas filhas”, lamentou.

 

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