17 de abril de 2026 05:55
Justiça

Marido nega que médica que atropelou verdureiro tenha bebido em festa

Foto de Natália Araújo
Natália Araújo

O marido da médica Letícia Bortolini negou que a esposa tenha consumido bebida alcoólica antes de atropelar o verdureiro Francisco Lúcio Maia, de 48 anos, em Cuiabá, em abril de 2018.

O médico Aritony de Alencar Menezes disse ainda que a mulher não sabia que tinha atropelado uma pessoa até a chegada da polícia em sua casa.

As declarações de Aritony foram feitas durante a audiência de instrução, realizada na tarde desta quinta-feira (2).

O dia do fato

O médico narrou que no dia do acontecimento, 14 de abril, pela manhã, trabalhou normalmente, assim como a esposa, Letícia. No início da tarde, se encontraram na casa do pai dele.

“Afirmei para irmos à festa, ela disse que não queria ir, mas eu insisti”, disse. Aritony comentou ainda que o festival que participaram tem como foco a carne assada, não a bebida alcoólica.

Sobre a festividade, o médico contou que uma cervejaria estava distribuindo cerveja e para ter acesso à bebida, a pessoa precisaria fazer uma postagem na rede social mostrando o copo personalizado.

Essa foto foi postada na rede social de Letícia e a família de Lúcio, inclusive, visualizou a imagem após o atropelamento.

Aritony garantiu que a esposa não consumiu bebida alcoólica naquele dia. “Ela ficou na fila para pegar cerveja para mim”, afirmou.

O atropelamento

O médico disse que assim que a festa acabou, por volta das 19h30, foi embora com a esposa. Letícia foi dirigindo, enquanto ele dormiu.

Aritony narrou que dormiu durante todo o trajeto e ao chegar em casa foi acordado pela esposa, mostrando os estragos no carro. A mulher, de acordo com o marido, achava que teria batido em uma placa.

“A Letícia desceu do carro e me chamou pra ver o que estava acontecendo, me assustei, chamei meu pai para mostrar o que estava acontecendo e chegaram os policiais”, contou. “Perguntei o que tinha acontecido e o policial falou que o carro atropelou e a vítima, o senhor Fracisco, faleceu”, complementou.

Aritony disse que a esposa, ao receber a notícia, chorou, gritou e ficou bastante abalada. O médico ainda negou que tenha havido omissão de socorro.

“Omitiu socorro de quê? Como omitiria socorro se ela não sabia?”, questionou com a voz estremecida.

O médico disse ainda que foi embora da delegacia porque pessoas chegaram revoltada ao local, jogando pedras e proferindo xingamentos. Inclusive, no dia do depoimento, Aritony, afirmou que foi agredido com golpes de capacete, cuspe e xingamentos.

Em seu primeiro testemunho, Aritony alegou que não tinha visto se a mulher bebeu ou não naquele dia. Agora, mudou os argumentos e afirmou que é porque, ao revisitar mentalmente os acontecimentos, foi a esse entendimento que ele e a esposa chegaram.

Recusa do bafômetro

O policial militar Rafael de Souza Cardoso que atendeu à ocorrência, em seu depoimento, reafirmou que a médica apresentava sinais que indicavam  embriaguez.

Porém, Letícia negou a realização do teste de etilômetro, ou seja, o bafômetro.

“A priori, no primeiro contato que tive com ela a parecia que ela apresentava sinais de embriaguez, na minha concepção, sim”, reforçou. De acordo com o militar, a condutora estava com os olhos vermelhos, coordenação motora e fala alteradas.

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