Lesco revela novas práticas de barriga de aluguel e grampos em vice-governador

Grampo foi feito de modo transversal, isto é, por meio de um assessor, para monitorar assuntos de Fávaro

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O reinterrogatório do coronel e ex-chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, na 11ª Vara Criminal de Cuiabá, na noite desta terça-feira (16), foi marcado por uma série revelações e tensões entre advogados de defesa e o representante do Ministério Público de Mato Grosso, promotor Vinícius Gahyva.

Lesco começou o depoimento emocionado, pedindo desculpas por ter agido para obstruir a Justiça no escândalo dos grampos ilegais, conhecido como Grampolândia Pantaneira. O militar afirmou que tinha consciência que o esquema era ilegal, mas que na época não pensou nas consequências. Ele teria sido movido pela lealdade ao coronel Zaqueu Barbosa.

No depoimento, Lesco confirmou declarações anteriores do coronel Zaqueu Barbosa, que também foi reinterrogado nesta terça-feira. O coronel não deixou dúvidas de que o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, era o chefe do esquema de interceptações telefônicas.

Lesco revelou que até mesmo o ex-vice-governador, Carlos Fávaro, chegou a ser grampeado pelo grupo. Segundo ele, o esquema aconteceu de modo transversal, isto é, por meio de um assessor, para monitorar os assuntos de Fávaro.

O coronel também falou sobre empréstimos que contraiu para manter o sistema de grampos em funcionamento e afirmou que colocou sigilo bancário à disposição do Ministério Público e da Justiça.

Velhas práticas

Antes de assumir a Casa Militar, na gestão Pedro Taques, Evandro Lesco era diretor de inteligência do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do MPE.

O coronel afirmou se sentir na obrigação de esclarecer todas as práticas de interceptações telefônicas ilegais as quais tem conhecimento. Por isso, revelou outras práticas em quatro operações.

Como exemplo, a Operação Imperador, que também adotou a prática ilegal. Deflagrada para investigar desvio de verba da Assembleia Legislativa, teve como réu, entre outras pessoas, o ex-deputado José Riva.

Segundo ele, na época, um promotor teria determinado a inserção do número telefônico de um terceiro, suspeito de negociar com Riva, para obter informações. O número foi incluído após autorização judicial para outra investigação. Lesco também afirmou que o mesmo aconteceu com João Emanuel Moreira Lima.

O coronel também citou que a filha do ex-parlamentar, a deputada Janaína Riva, também foi alvo de grampos, na época da Operação Metástase. Esse caso chegou a ser revelado à imprensa na semana passada, quando o cabo da PM, Gerson Correia, tentou delação com o Ministério Público.

A ex-primeira-dama, Roseli Barbosa, foi outro alvo da barriga de aluguel, no âmbito da Operação Arqueiro e Ouro de Tolo. A investigação contra Roseli tinha que ser a que ser transversal, mesmo que as investigações apontavam que ela era a maior beneficiada dos desvios de recursos da Setas, em razão da prática ilegal.

Tanto José Riva quanto Roseli Barbosa apenas foram denunciados depois que deixaram seus cargos.

Neste momento, quando coronel Lesco mencionava as diversas práticas ilegais do Ministério Público, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva passou a interrompê-lo. Depois, claramente exaltado, disse a Justiça estaria dando muita credibilidade a um réu, um investigado. O clima de tensão permaneceu até o final do julgamento, por volta das 21h.

Atualizada às 20h49

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