Emanuel Pinheiro explica por que agora é contra um lockdown

Autor de medidas rígidas na primeira onda da pandemia, prefeito de Cuiabá afirma que elas não funcionarão nessa nova etapa

(Foto: Ednilson Aguiar/O LIVRE)

Principal crítico ao fechamento do comércio e toque de recolher, imposto pelo governo de Mato Grosso na tentativa de barrar o avanço da pandemia, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), explicou nesta segunda-feira (8) por que é contra um novo lockdown, mesmo diante do número crescente de casos da covid-19 no Estado.

Segundo o prefeito, dois fatores são justificáveis para a medida extrema: o desconhecimento da doença e a falta de estrutura em saúde pública para atender quem ficar doente.

Passado um ano desse primeiro momento, ele acredita que tais estratégias são menos eficientes e colaboram para um novo tipo de caos: o social, econômico e psicológico.

“É insensatez falar em medidas restritivas um ano após a pandemia. Nós estamos vivendo o novo normal, essa é a nova realidade. É lógico que têm aqueles lugares que espalham mais o vírus, com aglomeração de pessoas sem máscara, em desrespeito total às medidas de biossegurança. [Mas] o mercado precisa de horário mais elástico”, defendeu.

Taxa de ocupação de leitos

Para o prefeito, a rede de assistência à saúde não deve ser critério exclusivo para decretar a restrição ou não de atividades econômicas. A taxa de ocupação de leitos em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) é avaliada por ele como parte do ciclo de evolução do contágio. 

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

“Uma coisa [maior número de leitos] complementa a outra [redução de contágio], mas não estão vinculadas. É preciso cobrar que as pessoas respeitem as medidas de biossegurança, mas não podemos penalizar todo mundo por causa de alguns”. 

Ele defendeu ainda que o uso de máscara, o distanciamento e a higienização devem ser mantidos, mas disse enxergar tais atitudes como medidas com efeito paliativo. A imunização da população contra a covid-19 via vacinas seria o caminho garantido para pôr fim à crise sanitária. 

“Se [o lockdown] tivesse funcionando, São Paulo estaria uma maravilha, porque foi o Estado mais fechado do país”, comparou.

Com lockdown x Sem lockdown

Prefeitura de Cuiabá e Governo de Mato Grosso trocaram de posições sobre a adoção de medidas para reduzir o contágio pelo novo coronavirus.

No início da pandemia, no fim de março de 2020, o prefeito Emanuel Pinheiro foi quem baixou decretos impondo o fechamento do comércio, enquanto o governador Mauro Mendes (DEM) pedia mais flexibilidade por parte dos municípios. 

Agora, foi a vez do governo do Estado decretar medidas mais rígidas, com um decreto que entrou em vigor na semana passada. As ordens se baseiam na taxa de ocupação de leitos em UTI e têm o objetivo de desacelerar o contágio.

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