Desembargador condenado por venda de sentenças é proibido de se aproximar da ex

Evandro Stábile foi acusado de ameaçar a ex-namorada, mas diz que foi ela quem cometeu "estelionato emocional"

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Condenado por venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o desembargador aposentado compulsoriamente Evandro Stábile, 62 anos, agora está proibido de se aproximar da ex-namorada, a escrivã da Polícia Judiciária Civil Michele Pedroso, de 38 anos.

Michele procurou a delegacia de Tangará da Serra (250 km de Cuiabá) no dia 12 de abril. Disse que teve um relacionamento com o desembargador por aproximadamente um ano, mas que o namoro tinha acabado recentemente. Mais precisamente, dois dias antes. Mas, desde então, ele teria passado a importuná-la e ameaçá-la.

No mesmo dia, o próprio Evandro Stábile também procurou a polícia. Ele registrou um boletim de ocorrência acusando a ex-namorada de denunciação caluniosa.

Segundo ele, Michele teria feito a denúncia com a intenção de se beneficiar financeiramente. Stábile ainda acusou a escrivã de “estelionato sentimental”, ou seja, que ela teria se aproximado apenas por dinheiro.

O desembargador afirmou que a ex-namorada fez um empréstimo em seu nome, usou seu cartão de crédito para fazer uma cirurgia plástica e ainda teria se apropriado de um veículo comprado para uso da empresa dele.

À polícia, ele afirmou que permitiu todas essa situação pela promessa de um relacionamento amoroso duradouro e constituição de uma família.

O fim do namoro

Como o relacionamento não durou, Stábile teria pedido a devolução do carro. Segundo ele, o veículo foi emprestado para Michele em fevereiro, quando ela se recuperava de uma cirurgia. Ela, no entanto, não teria feito a devolução voluntariamente.

Stábile, aliás, também registrou essa acusação contra a escrivã em outro boletim de ocorrência.

Já a ameça, que Michele alegou ter recebido, na versão do desembargador não passou de uma mensagem via WhatsApp, por meio da qual ele pediu o carro de volta.

Por fim, o desembargador aposentado disse acreditar que Michele foi orientada por um delegado a fazer o boletim de ocorrência o acusando de violência doméstica.

Proibido de se aproximar

Um dia depois da troca de acusações – 14 de abril -, a juíza Edna Ederli Coutinho concedeu a Michele Pedroso medidas protetivas contra Evandro Stábile. O desembargador agora está proibido de se aproximar da ex-namorada, com base na Lei Maria da Penha.

“Outrossim, consigno que em crimes praticados no âmbito doméstico, na maioria das vezes clandestinos, sem testemunhos, a palavra da vítima tem grande valia e é justificante, por si, para impor ao ofensor medidas cautelares visando preservar a sua integridade física e psíquica”, disse a juíza em sua sentença.

A distância mínima imposta a Stábile é de 300 metros de Michele ou de qualquer pessoa da família dela. Ele também não pode manter contato por qualquer meio de comunicação. As regras valem pelo prazo de seis meses, mas podem ser prorrogadas.

Quem é Evandro Stábile?

Evandro Stábile foi condenado em 2015 – mas preso em 2016 e em 2018 – por ter recebido R$ 100 mil em propina para manter uma prefeita de Alto Paraguai (200 km de Cuiabá) no cargo.

Ele foi aposentado pelo Tribunal de Justiça compulsoriamente em junho de 2016, mas estava afastado do cargo desde dezembro de 2010.

O desembargador ficou preso de setembro de 2018 a maio de 2019, quando conseguiu a progressão de pena para o regime semiaberto.

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