De Livramento para o mundo: conheça a promessa mato-grossense para as Olimpíadas

Ela está no topo do ranking da categoria sub 18 e treina forte para chegar a Paris, em 2024

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

6,13 metros colocaram Lissandra Maysa Campos no topo do atual ranking brasileiro de salto em distância, categoria Sub 18. Ela está a 8 centímetros do recorde brasileiro e, segundo sua técnica, Maria Aparecida Souza de Lima, a poucos passos de ser uma forte atleta olímpica.

A menina tem apenas 16 anos, mas apresenta todos os quesitos que podem levá-la a uma carreira profissional de sucesso: determinação, ambição e apoio familiar, diz a treinadora.

“Ela tem tudo. E o foco dela não se pode negar. Vem todo dia, de Livramento a Cuiabá, para treinar e não vê dificuldade”.

Lissandra sempre está concentrada nos treinos e mostra dedicação em todas atividades (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Pela manhã, a atleta frequenta as aulas na sua cidade, Nossa Senhora do Livramento (38 km de Cuiabá). Depois do almoço, por volta das 12h, entra no ônibus e chega ao 9º Batalhão de Engenharia da Construção (BEC), na capital mato-grossense, às 14h.

É na pista do Exército Brasileiro que ela treina desde os 12 anos, quando foi levada pela professora da cidade ao Instituto Vicente Lenilson, que funciona no local.

Professora Maria Aparecida Souza de Lima diz que atleta tem tudo para vencer (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

“Nunca desistiu mesmo com todas as privações. Não é fácil para uma jovem dispensar os amigos, acordar cedo, se preocupar com a alimentação e deixar de fazer muitos programas típicos da idade”, afirma a treinadora.

Maria Aparecida explica ainda que os próximos anos serão decisivos na vida de Lissandra porque ela deixará de ser treinada com uma adolescente e passará a ter as exigências de uma atleta profissional de alta performance.

“Será a hora de sentir muita dor e superar os limites. Os treinos serão mais pesados e ela precisará manter o foco”.

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As dificuldades são enfrentadas por Lissandra com naturalidade. Ela diz que não se importa com as festas e encontros que deixou de participar e está acostumada a ouvir: “você nunca pode nada”.

Para ela, tudo será justificado quando conseguir entrar em um ginásio lotado, como muitos gritando o nome dela e, na pista, mostrar ser a melhor.

Cenário que a jovem atleta viu pela televisão, enquanto acompanhava o Mundial de Atletismo em Dora (Catar).

“Eu tenho convicção que estarei em Paris em 2024”.

Jovem atleta confere os equipamentos do treino, realizado na pista do 9º BEC (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A certeza de que participaria de uma Olimpíada começou a afligir o coração de Lissandra quando ela esteve entre os medalhistas dos Jogos Escolares da Juventude.

Depois, em cada competição, com a melhoria dos saltos, as esperanças foram aumentando e ela viu que seria possível.

“Não falto treino, durmo cedo, como as coisas certas. Tenho foco”.

Olhos de lince

O coordenador do instituto onde Lissandra treina, Vicente Lenilson, diz que todas as crianças tem potencial para se desenvolver no esporte e que o talento inato nem sempre é essencial.

“Hoje, percebo que muitas vezes vale mais um esforçado, que um talentoso. Já vi muita gente se perder pela falta de disciplina e por comportamentos equivocados”.

Atualmente, o instituto onde Lissandra treina tem outras 80 crianças e os trabalhos são financiados pela Unimed Cuiabá, Energisa, Exército Brasileiro, Colégio Fato e Secretaria de Cultura e Esporte de Mato Grosso.

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