Covid-19: número de novos casos acelera e governo de MT admite colapso do SUS

Secretário Gilberto Figueiredo diz que problema passa pela falta de habilitação de leito e testagem de pacientes suspeitos nos hospitais

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O quadro da covid-19 em Mato Grosso passou a ter traços de caos por causa de uma série de ações em cadeia. Faltam leitos habilitados nos municípios e diagnósticos nos hospitais de “portas abertas”, segundo o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.

Nesta terça-feira (9), em sua tradicional entrevista coletiva online, ele admitiu: o sistema de saúde está em colapsoMato Grosso tinha, até o fim da tarde de ontem, 4.243 casos confirmados para a covid-19. Desses, 227 estão internados.

Ao quadro administrativo, conforme ele, soma-se a falta de cuidado da população em se prevenir contra o coronavírus. E isso pode estar atrelado à chegada dos pacientes já em situação grave às unidades de saúde. 

A situação fez Gilberto Figueiredo prever um prognóstico nada positivo para o Estado nas próximas semanas. 

“Colapsamos a ocupação de leitos na Santa Casa [em Cuiabá] e no Hospital Metropolitano [em Várzea Grande] desde o meio-dia de ontem. O número de pessoas que estão chegando ao hospital já em situação grave cresceu muito”, disse. 

A situação do dia anterior, segundo o secretário, era de uma ocupação de leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) – os localizados em hospitais de referência para tratamento da covid-19 – na casa dos 47%.

Na Santa Casa são 40 leitos e no Hospital Metropolitano mais 40. Porém, a estimativa para esse último é que já esteja saturado com o passar das horas desde a divulgação do boletim diário de segunda-feira (8). 

Falta de habilitação 

Conforme Gilberto Figueiredo, a aceleração na ocupação dos leitos de UTI está associada a pelos menos dois fatores que envolvem a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso. 

Municípios polos na estrutura do SUS deixaram de contratar leitos ou demoraram na decisão. Isso fez com que os pacientes do interior fossem enviados para a grande Cuiabá, por falta de condições clínicas onde residem. 

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Na lista dos municípios com esse problema, o secretário citou Rondonópolis, Tangará da Serra, Cáceres, Sorriso e Sinop. 

“Cuiabá tem 30 leitos para covid-19 que, até onde sabemos, estão sem ocupação. Esses leitos precisam ser colocados na rede [de enfrentamento à pandemia]. Para 60 leitos que tinham sido habilitados junto ao Ministério da Saúde, houve desistência. Isso está gerando um esforço enorme da nossa parte”, disse. 

Leitos construídos no Hospital Metropolitano, segundo o governo, já estão todos ocupados (Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)

Falta de diagnóstico 

Outro fator seria a incapacidade dos hospitais de portas abertas em diagnosticar a covid-19 para encaminhar os pacientes para internação nos hospitais referências.

A falta de filtro no universo de pacientes com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e a “explosão” no número de novos casos levaram a admitir pessoas nas estatísticas, mas que, até então, são apenas suspeitas de terem contraído a doença. 

“Falta estrutura nos municípios até para o teste e diagnóstico das pessoas com síndrome respiratória. Isso está levando a internação de pessoas que são casos suspeitos da covid. Quem escolher circular pela cidade, saiba que você está se candidatando a ser um paciente grave, sem respirador nos leitos de UTI”, alertou. 

O último boletim divulgado pela SES traz as informações de que 34 dos 58 leitos de enfermaria exclusivos para pacientes da covid-19, hoje, estão ocupados por pessoas com suspeita da doença. 

Dos 76 ocupados em UTI, 32 têm pacientes sem o diagnóstico confirmado.  

Na semana passada, o secretário já havia alertado para situação precária nas unidades de saúde de portas abertas – UPAs e policlínicas. Ele disse que a falta de estrutura de teste de pessoas com sintomas graves contribuiu para a morte de dois pacientes da covid-19.

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