Caso Rodrigo Claro: MP vai recorrer e mãe lamenta pena imposta a tenente

Izadora Ledur de Souza Dechamps foi condenada pelo crime de maus-tratos e deve cumprir pena de um ano em regime aberto

(Foto: Arquivo pessoal)

“Estou com vergonha da Justiça, vergonha da instituição para a qual entreguei meu filho vivo e depois ele foi devolvido morto”, lamenta Jane Patrícia Lima Claro, mãe de Rodrigo Claro.

O rapaz era aluno do curso de formação do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso e morreu após um treinamento de salvamento aquático na lagoa Trevisan, em Cuiabá. A tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps foi acusada de torturar o rapaz em sessões de afogamento, antes da morte de Rodrigo em um hospital da Capital.

O julgamento do caso aconteceu nessa quinta-feira (23), na Vara Militar e, por volta das 20h foi proferida a sentença à militar: um ano de prisão, em regime inicial aberto, pelo crime de maus-tratos contra o aluno. O voto vencido foi o do juiz Marcos Faleiros.

O Ministério Público Estadual afirmou que recorrerá, uma vez que pede a condenação da tenente pelo crime de tortura. A assistência de acusação pede ainda que a militar seja expulsa da Corporação.

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Indignação

Para Jane, a sentença foi uma decisão corporativista, que não considerou o sofrimento de Rodrigo. O rapaz, frisa a mãe, teve atendimento médico apenas depois de chegar ao 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, no bairro Verdão. O local fica a cerca de 15 quilômetros de onde era feito o treinamento.

“Não tinha uma ambulância para atender meu filho ali e ele ainda foi a pé até a policlínica”.

A mãe de Rodrigo avalia que a condenação, que ainda permite a permanência da militar na Corporação, seja um risco para novas ocorrências e um “aval da Justiça” para que novos casos ocorram.

“Tentei preservar outros jovens, evitando outros casos, inclusive, por parte dela, mas a Justiça disse que não posso fazer isso”, desabafa.

“Hoje ela está livre e, certamente, dará instruções em cursos. Então, haverá outros, não sei se Rodrigos, Rafaeis, Joãos, mas virão outros e outras Janes, Marias, chorarão a morte de seus filhos”.

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