Deputados de oposição criticam o 1º quadrimestre da gestão estadual

Governo admitiu que pode demitir servidores concursados para se adequar aos limites da LRF

Foto: Karen Malagoli/ALMT

“Balde de água” fria e “incoerência”. Assim os deputados estaduais Wilson Santos (PSDB) e Lúdio Cabral (PT) classificaram a apresentação dos números do primeiro quadrimestre do governo Mauro Mendes (DEM). A explanação foi feita pelo secretário estadual de Fazenda, Rogério Gallo, em audiência pública realizada na manhã de terça-feira (21) na Assembleia Legislativa.

“Hoje o governo tem mais cargos DGA do que o governo anterior, de Pedro Taques. O governador Ferreira aumentou os gastos com a folha. Esta é a reforma, este é o caminho? Em quatro meses, o governo reduziu somente R$ 23 milhões do custeio da máquina. Um homem que diz que tem gestão diminui apenas 0,5%. O déficit de R$ 1,2 bilhão da previdência vai ter que retirar da Fonte 100 para cobrir. O ICMS de abril foi menor do que o de janeiro. Isso me preocupa, foi um balde de água fria essa apresentação”, disparou o tucano.

Já Lúdio Cabral declarou que foi surpreendido negativamente pelo fato de o relatório do quadrimestre não ter sido publicado no Diário Oficial antes da realização da audiência pública. Ele também questionou os números referentes  aos repasses do Ministério da Saúde, que segundo o Executivo teriam sido abaixo do previsto e contribuído para a maior fatia da queda de 0,1% na receita do Estado.

“Quando fui vereador fazia questão de ler com profundidade o relatório, que era publicado pelo então prefeito Wilson Santos, antes de debatê-lo na Câmara Municipal. Hoje eu fui buscar o conteúdo e ele ainda não foi publicado e a informação é de que ainda seriam feitos ajustes no relatório. Não é o procedimento correto, nós temos que debater o relatório oficial. Isso é uma incoerência, um erro que o Estado está cometendo. E essa redução nos repasses me surpreendeu porque é um ponto fora da curva. Temos que avaliar se essa informação está correta e, se estiver, a causa da queda”, disse o parlamentar.

Defesa

O líder do governo na Casa, Dilmar Dal Bosco (DEM), assegurou, por sua vez, que a demonstração de Gallo foi clara, lembrou das dívidas deixadas pela gestão anterior e criticou os discursos contrários.

“O Estado deu o calote em 11,5 mil empreendedores, deixou restos a pagar de mais de R$ 2 bilhões e tem gente que diz que não sabe onde está a calamidade financeira. O governo está pagando dívidas deixadas e herdadas pelo governo passado. Questionam 10, 20 cargos de DGA, mas não questionam o déficit herdado do governo passado. Talvez as pessoas não queiram entender, ou queriam complicar com bons discursos”, declarou o democrata.

Da tribuna, Xuxu Dal Molin (PSC) também saiu em defesa do governo e pediu que todos os parlamentares leiam o relatório do Executivo para “não cair em conversa fiada”. “O ingrediente do bolo é azedo. Estamos pagando dívidas, os repasses dos Poderes aumentaram. O governo não faz milagre. O que eu não entendo é como deixaram Mato Grosso chegar nesse ponto, faltou gestão e faltou fiscalização”.

Esta não foi a primeira vez que os deputados do PSDB e PT se uniram no discurso contrário a uma ação do Governo do Estado. Quando a Assembleia Legislativa autorizou o Executivo a contrair um empréstimo com o Banco Mundial, Wilson Santos e Lúdio Cabral também fizeram uma “dobradinha” na oposição.

Números do governo

O secretário Rogério Gallo admitiu que o governo pode demitir servidores que ainda estão em estágio probatório para se adequar aos limites estabelecidos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Segundo ele, o Estado já reduziu cargos comissionados e contratos mesmo assim não conseguiu diminuir o gasto com pessoal, que foi estourado em R$ 1 bilhão.

Ainda conforme Gallo, o PIB teve um crescimento de 2,5% abaixo do esperado para o período e a receita prevista para o primeiro quadrimestre de 2019 ficou 0,1% abaixo do previsto. A maior queda de receita, de acordo com o secretário, foi na transferência da União para a Saúde, uma vez que o estado esperava arrecadar R$ 250 milhões nos quatros primeiros meses e acabou recebendo R$ 68,1 milhões.

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