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“Todo mundo concorda, desde que não mexa no seu bolso”, diz Mauro Mendes

Foto de Laura Nabuco
Laura Nabuco

“Todo mundo acha que algo deve ser feito, mas sem mexer no bolso dele. Se eu fosse ficar ouvindo esse tipo de opinião, entraria para a história – como alguns já entraram – como um péssimo governador”.

A afirmação é do governador de Mato Grosso Mauro Mendes (DEM) e resume bem o sentimento que o democrata transpirava durante um encontro com a imprensa na manhã dessa segunda-feira (16).

O governador convidou jornalistas dos principais veículos de comunicação para o que chamou de “bate-papo” sobre o primeiro ano de sua gestão e as perspectivas que tem para os próximos.

Em sua autoavaliação, as medidas – boa parte delas amargas para alguém – trouxeram bons resultados e Mendes disse estar “na média, satisfeito com os resultados do primeiro ano do governo”.

Perguntado se a marca de sua gestão será “consertar” o que encontrou desalinhado no Estado, o democrata se esforçou – sem sucesso – para citar uma ação que não envolva a economia de dinheiro gasto sem necessidade, ou a retomada de algo que foi iniciado e não concluído.

Por fim, acabou salvo pelo secretário de Comunicação, Mauro Camargo, que resumiu o que deve ser a esperança de quem depositou seu voto no democrata em 2018: “se ele conseguir só consertar o que está errado em Mato Grosso, já vai ter feito muito mais do que muitos outros que passaram por aqui”.

A reportagem do LIVRE pontuou os principais assuntos dessa conversa (quase) informal. Confirma:

Equilíbrio Fiscal

A meta de Mauro Mendes para 2020 ainda é economizar dinheiro. E o governador agora quer fazer isso informatizando o serviço público.

“Temos dezenas de ações que estamos planejando nesse segundo semestre e que vão ganhar força para que o Estado seja mais eficiente com menos recurso humano e entregando um resultado melhor para a população. A tecnologia vai fazer parte da nossa principal meta para 2020”.

Mendes não deu detalhes de como a digitalização ocorrerá, nem por onde vai começar e, principalmente, quando vai começar. Mas já admitiu, por exemplo, não extinguir mais a MTI – Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação.

Extinguir essa e outras empresas públicas era parte do plano do governador para cortar gastos. Um objetivo que, segundo ele, foi alcançado com um plano de demissão voluntária. Agora, Mendes disse que vai “apertar” ainda mais para que bons resultados continuem sendo obtidos com menos pessoas (e consequentemente menos gastos).

“A Desenvolve MT, por exemplo, está dando lucro este ano”, ele disse, citando outra empresa que ainda corre o risco de ser extinta se não provar ser necessária.

“Estou dando oportunidade. A hora que eu pegar para valer, se eles não mexerem o corpinho, correm o risco de a gente implementar aquilo que a Assembleia Legislativa já nos autorizou fazer”.

Servidores públicos

Resultados, segundo o próprio Mendes, positivos, obtidos com ações de cortes de despesa implementadas no início do ano, parecem dar confiança ao governador para mais medidas amargas.

No início de 2019, servidores públicos invadiram o plenário da ALMT em protesto contra medidas do governo (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Quando o assunto foi a relação com os servidores públicos de Mato Grosso, Mauro Mendes disse que o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) já está sacramentado e mostrou a convicção de que vai conseguir implantar a reforma da Previdência Estadual, apesar de todas as vozes contra que já ecoam.

“Existe uma emenda constitucional vigorando no país que estabeleceu essa alíquota de 14% para os servidores federais. Dos Estados brasileiros, nós já tínhamos 14 que, antes de começar a reforma [federal], já tinham uma alíquota de 14%. Seis Estados já aprovaram suas reformas nos moldes da federal. E a grande maioria já encaminhou projetos para suas Assembleias [com a mesma alíquota]. Então, isso vai ser aprovado no Brasil inteiro”, disse.

Quanto à RGA, deixou claro: a menos que Mato Grosso passe a gastar menos de 49% de sua receita com o funcionalismo público, a revisão não será paga, não importa o que aconteça.

“E não é chegar abaixo dos 49%, dar a RGA e voltar para 52%. É ficar abaixo de 49%, vamos supor 47%, e para esses 2% de espaço fiscal já existe uma regra objeto até de homologação no Tribunal de Justiça: 75% vão para a RGA e 25% para as leis de carreira”.

Saúde versus Obras da Copa

Mauro Mendes não foi perguntado diretamente qual seria sua prioridade, mas ao colocar os assuntos lado a lado em uma mesma resposta, demonstrou que não vai titubear um segundo sequer se precisar escolher investir em hospitais ou no VLT, por exemplo.

Ao falar sobre a retomada de obras inacabadas no Estado, o governador citou o caso da Santa Casa de Cuiabá. Sustentou que números têm lhe mostrado que a decisão de assumir a unidade que estava de portas fechadas foi a melhor possível e que, portanto, retomar a obra do Hospital Central, abandonada há 34 anos, também deve dar frutos parecidos.

“Ao longo de 2019, o índice de judicialização da Saúde caiu muito e um dos motivos – além da criação da Vara Única da Saúde – foi a entrada desse hospital […]. Vou dar um exemplo: sabe quanto o Estado pagou por anos por uma angioplastia? De R$ 80 mil a R$ 120 mil em medidas liminares. Sabe por quanto estamos fazendo esse serviço? Em torno de R$ 12 mil a R$ 15 mil na Santa Casa”.

Já o VLT… Mauro Mendes disse já ter reconhecido que errou ao afirmar, na época de campanha, que em um ano daria uma resposta à sociedade. Segundo ele, mais estudos ainda são necessários e nada será dito sobre uma eventual retomada das obras sem a certeza absoluta de quanto isso vai custar e quanto tempo vai demorar.

A conclusão das obras do VLT continua sendo uma incógnita (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Política e eleições

Mauro Mendes mostrou também que não está disposto a debater qualquer disputa eleitoral que venha a acontecer nos próximos meses.

“Como cidadão, acho que temos eleições demais. Esse período de dois em dois anos acaba fazendo com que o debate eleitoral seja mais importante do que o debate dos problemas reais que nós temos. Ela [a eleição] ganha uma importância que não deveria ter. Se fossem de quatro em quatro anos, ou de cinco em cinco anos, nesse intervalo nós estaríamos muito mais focados nos problemas reais do mundo”.

Segundo ele, o assunto tem sido tratado pela Executiva estadual do Democratas, da qual ele até faz parte, mas preferiu não se mostrar como alguém com tanta influência.

E a decisão, por enquanto, adotada é: o partido vai ter candidato próprio em Cuiabá, Várzea Grande e demais maiores cidades do Estado, desde que não haja um prefeito de outro partido apto à reeleição, com uma boa avaliação popular.

Já quanto à eleição suplementar ao Senado, para substituição de Selma Arruda (Podemos), cassada sob a acusação de prática de caixa 2, Mauro Mendes disse não ver motivos para mudar de ideia sobre seu apoio a Carlos Fávaro (PSD), que já concorreu à vaga em 2018, em sua chapa.

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