Exame para revalidar diplomas de Medicina gera conflito entre políticos e professores

Senadores pressionam a retomada de calendário do Revalida e na UFMT surgem denúncias de suposto uso político da situação

(Foto: Reprodução/Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A prova do Revalida para diplomas estrangeiros de Medicina oferecida pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) tornou-se motivo de conflito entre a comissão responsável pelo teste e políticos. 

A aplicação de novas etapas, prevista para este mês, foi suspensa em junho por causa da pandemia do novo coronavírus. Porém, em julho, por causa da escassez de profissionais de saúde no mercado, houve início a um movimento pela remarcação emergencial da prova. 

Desde quinta-feira (6), a Comissão Revalida vem discutindo o assunto. E uma fonte ligada ao departamento de Medicina da universidade disse ao LIVRE que permanece o consenso de que ainda não há condições de liberar o exame, que pode ter cerca de 1,5 mil candidatos. 

Conforme a fonte, a Congregação da Faculdade de Medicina decidiu, ao fim da reunião, manter a suspensão do edital 003/2018, que está na última de quatro etapas. 

Uma mensagem à qual a reportagem teve acesso apresenta como argumento para essa decisão o quadro epidemiológico do contágio do novo coronavírus em Cuiabá. 

Paralelamente, o Senado, também nessa quinta-feira, aprovou um projeto de lei para simplificar a aplicação da provaPela proposta, a União tem de 30 a 60 dias para promover um processo simplificado do Revalida, indicar quais instituições e cursos estrangeiros estão aptos e definir os valores a serem cobrados. 

Será garantida ainda a isenção da cobrança de pagamento dos exames aos candidatos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. 

A Comissão do Revalida ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. 

Outro edital

A UFMT ainda avalia a publicação de dois editais do Revalida. Além da conclusão do processo de 2018, está sendo considerado um novo, com foco na demanda deste ano. 

Em Mato Grosso, o pedido para que o primeiro exame fosse concluído partiu do senador Carlos Fávaro (PSD), que chegou a sugerir que o Ministério da Educação (MEC) realizasse testes virtuais para agilizar a entrada de novos médicos no mercado de trabalho. 

Segundo ele, o objetivo é criar uma alternativa para o preenchimento de vagas oferecidas por municípios e pelo Estado em hospitais e unidades de atenção básica, que fazem parte da rede de combate à pandemia. 

Fávaro conseguiu uma reunião do governo estadual e com a UFMT para chegarem a um acordo para definição de um novo calendário. As reuniões em andamento da Comissão do Revalida estão focadas nessa questão. 

Implicação política 

O debate sobre o exame, contudo, coincidiu com o processo seletivo para escolha de reitor da UFMT. E existiria um suposto acordo entre o vice-reitor Evandro Soares com políticos mato-grossenses para influenciar a decisão do MEC na escolha da lista tríplice. 

Evandro Soares foi o candidato mais votado dos três que disputaram o cargo em processo acelerado, em julho. No prazo de 20 dias, foram abertas inscrições, houve aprovação e início da campanha, que durou 16 dias. 

Ao fim, dois candidatos, o doutor Alexandre Machado e a professora de Administração Danielli Beckel contestaram o resultado – o vice-reitor teve 68% dos votos – por causa de supostos indícios de fraude na seleção. 

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“O resultado da lista tríplice deve ser divulgado ainda este mês pelo MEC. E o vice-reitor está prometendo realizar o Revalida para ficar bem com os políticos de Mato Grosso e, assim, tentar influenciar a decisão do ministro. Não há condição alguma de realizar o Revalida neste momento em Cuiabá”, disse a fonte. 

O que diz a reitoria? 

Conforme dados da UFMT, o número de aprovados nos exames dos últimos quatro anos do Revalida não correspondem nem a um sexto do total de inscrito. Pouco mais de 6,8 mil graduados no exterior fizeram inscrição e 1,3 mil foram aprovados. 

Quanto à denúncia de uso político, a reitoria informou que a conversa para retomada do calendário iniciou fora da instituição, que somente tem acompanhado as demandas e ainda discute se reabrirá ou não o edital de 2018 e se lançará o de 2020. 

“O reitor está intermediando a resolução da realização da quarta etapa do exame de revalidação provocada pela solicitação dos senadores Carlos Fávaro, protocolado no gabinete da reitoria em 14 de julho, Welligton Fagundes e do Ministério Público Federal e atendendo a um pedido expresso da diretora da Faculdade de Medicina, única responsável pelo processo”, informa nota. 

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