Entidades do comércio acreditam que lockdown pode não surtir efeito contra a covid

Entendimento se baseia no fato de que hospitais de Cuiabá e Várzea Grande continuarão recebendo pacientes vindos do interior do Estado

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Entidades que representam o comércio avaliam que a medida judicial que impõe novas restrições em Cuiabá e Várzea Grande pode ter efeito pouco satisfatório para a contenção do novo coronavírus. O entendimento se deve ao fato de a Região Metropolitana permanecer aberta para a chegada de novos pacientes, vindos do interior de Mato Grosso.

“Queremos saber em que estudo essa decisão está sendo embasada, porque não adianta mais ficar em casa para impedir o vírus, ele já chegou. O que se tem que fazer é fiscalizar as medidas de proteção individual. Só assim se poderá controlar. E fazer testagem, muita testagem”, diz o diretor da Federação do Comércio de Bens e Serviços de Mato Grosso (Fecomércio), Marco Pessoz.

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Juiz da Vara de Saúde Pública de Mato Grosso, José Leite Lindote determinou na noite dessa segunda-feira (22) que Cuiabá e Várzea Grande adotem as recomendações da Secretaria de Estado de Saúde (SES) de quarentena obrigatória pelo período de 15 dias.

A regra está prevista no sistema de classificação de risco criado pelo governo de Mato Grosso e que divide as cidades por zonas identificadas por cores. 

Presidente do sindicato dos lojistas de shopping centers em Cuiabá, Junior Macagnam, por sua vez, defende que o controle mais rígido das medidas de prevenção à covid-19 seja  estendido a outros municípios.

A razão é o fato de parte dos leitos exclusivos para a pandemia localizados na Região Metropolitana serem ocupados por pacientes do interior. 

“Até onde sei, nesta terça-feira, 40% dos leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) estão sendo ocupados por pacientes que vieram de outros municípios. O que estão fazendo nesses municípios? Não adianta parar Cuiabá, se os pacientes vão continuar chegando”. 

Para brusca (de novo)

O bloqueio total em Cuiabá e Várzea Grande ainda não tem regras específicas definidas. A previsão de Macagnam é que a situação do comércio volte a ser como foi até o fim de maio, quando somente os serviços considerados essenciais podiam funcionar. 

“Delivery de restaurante poderá funcionar, o supermercado não poderá ter horário reduzido e nem a frota dos ônibus pode diminuir, ou seja, o essencial vai estar funcionando. Mas o que é essencial neste momento? A situação está muito fluída”, ponderou. 

Já o diretor da Fecomércio afirma que o retorno das medidas mais duras vai prejudicar as empresas que buscam recuperação da crise iniciada no fim de março. 

Essas empresas estavam na UTI e agora desligaram os respiradores. Elas estão lutando para pagar as contas, manter seus funcionários. Com essa decisão, tudo isso vai parar”, afirmou Pessoz. 

Empresários de vários segmentos vão participam de uma reunião no fim da manhã desta terça-feira (23) para avaliar se entram com recurso judicial para tentar rever a decisão do juiz Lindote. 

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