Covid-19: testagem em massa funciona, mas faltam insumos e políticas de implantação

Infectologistas defendem como fundamental, mas autoridades brasileiras resistem. Entenda porque você ainda não fez o exame

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A testagem em massa para a covid-19 foi adotada por diversos países e entrou no campo de política de saúde pública como uma estratégia para mensurar o avanço e, assim, estabelecer parâmetros para o controle da doença. No Brasil, todavia, praticamente não tem sido feita. O LIVRE, então, foi atrás de especialistas para entender os motivos da divergência de opiniões entre autoridades brasileiras e estrangeiras. 

No caso de Mato Grosso, o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirma que, apesar de ver a aplicação dos testes como política ideal, não concorda que ela vá gerar ação efetiva neste momento. 

A gerente de Vigilância de Saúde de Cuiabá, Flávia Guimarães, vai um pouco além e diz que os testes seria meramente estatísticos, ou seja, serviriam apenas se saber (de fato) quantas pessoas foram infectadas. 

Medida efetiva 

Já a médica infectologista Zamara Brandão, diretora da Comissão de Controle Hospitalar do Santa Rosa, afirma que a testagem em massa está dentre os três principais mecanismos para o controle de doenças contagiosas. 

Para além da informação sobre a taxa da população infectada, o compilado de dados possibilita a criação de política de saúde eficientes para atender o público mais exposto ao contágio. 

“Quem está sendo contagiado? As crianças, as pessoas na faixa etária laboral ou os velhinhos que estão ficando em casa? Essa informação serve para se criar medidas para controlar a doença, porque a ação será direcionada para a faixa etária exposta”. 

A informação de “público-alvo” poderia ajudar, por exemplo, órgãos de saúde a direcionar medidas de prevenção – que já vêm sendo adotadas no país – como a higiene pessoal e o uso de máscara. Já se montaria, portanto, uma segunda linha de defesa contra o contágio. 

Serviria até mesmo para a montagem de ação para a circulação de pessoas. Saber quantas pessoas já foram infectadas e, portanto, já criaram anticorpos, e qual é a faixa etária mais vulnerável são, para mim, medidas fundamentais”, comenta. 

A testagem em massa e a informação de taxa infecção são somadas à vacina de imunização, que a médica considera a tríade de mecanismos necessários para o controle de contágios. 

Médicas infectologistas defendem: testes em massa poderia, por exemplo, reduzir a necessidade de isolamento social generalizado (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Custo e baixa efetividade 

Gilberto Figueiredo afirma, entretanto, que a testagem em massa teria baixa eficiência por causa do nível de contágio pelo novo coronavírus. Seria um trabalho que precisaria de mais de uma verificação. 

“A pessoa passa pelo teste hoje e dá resultado negativo, mas amanhã ela é infectada e não sabemos disso. A testagem em massa é o ideal, mas ainda é muito cedo. Nós nem alcançamos a curva [de incidência], porque os casos diários continuam aumentando”, disse. 

A falta de insumo e o alto custo aparecem logo em seguida como argumentos de dificuldades para a implantação da medida. A busca por ferramentas de testes virológicos está sendo feita por quase todos os países, o que deixa o mercado em escassez. 

Já o custo para aplicação do teste também inibe o Poder Público. Em Cuiabá, o teste PCR, considerado o mais efetivo e assertivo, varia entre R$ 300 e R$ 350. 

O teste sorológico está na média de R$ 300 e o teste rápido em R$ 350.

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Porém, alguns Estados já começaram a aplicar a medição em massa. Santa Catarina, Paraná, Fortaleza e o Distrito Federal estão dentre as unidades federais que estão assumindo os custos para saber o quanto da população está infectada. 

Mínimo de 10% 

A médica infectologista Natasha Slhessarenko, membro do Conselho Federal de Medicina (CFM), reconhece que a falta de insumo e alto custo são fatores que dificultam a implantação da testagem em massa. Contudo, defende critérios alternativos para começar a mapear o contágio. 

“O território de Mato Grosso é maior que os da Espanha e da Itália juntos e estou citando esses países também porque eles conseguiram fazer a testagem em massa. Mas não podemos fazer uma testagem de ao menos 10% da população? Essa é a hora”. 

Ela também aponta para o aumento das chances de controle mais efetivo do contágio quando se sabe quem está infectado. Algo que pode refletir na suspensão de isolamentos sociais.

“A pessoa que sabe que está com o vírus vai ter um comportamento mais contido e isso ajuda a reduzir o contágio. E também é bom para saber quem deu positivo, para ficar em isolamento e deixar quem deu negativo sair para trabalhar”, ela defende. 

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