Em depoimento, Luis Cuzziol entrega novos fatos e defesa quer Éder reinterrogado

Acusado de participar de empréstimos bancários ilícitos, ex-gerente do Bic Banco foi ouvido pela justiça na tarde desta quarta-feira

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Por cerca de três horas, o ex-gerente do Bic Banco de Mato Grosso, Luís Carlos Cuzziol, prestou depoimento ao juízo de 5ª Vara Federal de Cuiabá, na tarde desta quarta-feira (12). Ele é o mais recente delator da Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal em 2013, para combater crimes de desvio e lavagem de dinheiro em Mato Grosso.

Do extenso depoimento, novo interrogatório deve ser feito e novas fases da operação podem acontecer.

Cuzziol, que foi alvo da 5ª e 6ª fases da operação e foi condenado em três ações, teve seu acordo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público Federal (MPF) e homologado pelo Tribunal Regional Federal (TRF1).

Em razão dos novos fatos que trouxe à tona, sua defesa pediu para que ele fosse reinterrogado. A nova oitiva foi realizada em um processo sobre operações ilícitas de empréstimos bancários, de cerca de R$ 12 milhões, pelo qual foi denunciado pelo MPF junto do ex-secretário de Estado Éder Moraes.

Após a longa espera na porta da Justiça Federal, a imprensa conseguiu contato com o advogado de defesa do ex-gerente, Rodrigo Batista da Silva, quando ele saía com o cliente por uma saída lateral, que dá acesso ao estacionamento.

Contudo, em razão de o processo estar em segredo de Justiça, ele não repassou informações.

“Ele está prestando todo esclarecimento à Justiça, contribuindo com tudo o que é necessário”, limitou-se a informar.

Conforme o advogado, não há expectativa para que Luís Cuzziol seja reinterrogado nas outras ações pelas quais foi denunciada pelo Ministério Público Federal.

Cuzziol, por sua vez, evitou a imprensa.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre – Advogado Fabian Feguri, defesa de Éder Moraes

Éder vai ser ouvido

Parte no processo, o ex-secretário de Estado, Éder Moraes, também deve passar por interrogatório sobre o caso. Ao menos foi o que pediu à Justiça seu advogado Fabian Feguri, que acompanhou o depoimento na tarde desta quarta-feira.

“Falta o juiz marcar a data. Eu já pedi o reinterrogatório [de Eder Morais], que já foi deferido”, garantiu.

De acordo com Feguri, em seu depoimento Cuzziol revelou novos fatos que podem ser usados pelos investigadores da Operação Ararath. Contudo, novas fases da operação ainda são incertas.

A delação premiada do ex-gerente, porém, ainda não foi anexada ao processo.

R$ 12 milhões em empréstimos

Cuzziol e Éder Moraes foram denunciados pelo Ministério Público Federal em abril de 2017, acusados de gestão fraudulenta de instituição financeira.

Conforme as investigações, foram praticadas inúmeras transações de empréstimos bancários de forma ilícita, que juntas totalizavam cerca de R$ 12 milhões.

Os empréstimos eram feitos à empresa Ortolan Assessoria e Negócios Ltda, e tinham como garantia créditos que a empresa possuía com o governo do Estado.

A garantia de crédito junto ao governo teria sido confirmada por meio de ofício assinado por Éder Moraes, à época secretário de Fazenda. No ofício, porém, ele não especificou objeto, notas fiscais ou contrato que atribuísse legitimidade ao crédito da empresa. Depois, a Controladoria Geral do Estado (CGE) apontou que a empresa não estava cadastrada como credora do Estado e, portanto, não haveria possibilidade de existir ordem bancária de pagamento em nome da Ortolan.

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