Avó de Mirella diz que houve justiça, mas não se apagou a dor da saudade

Para Claudina Chuê Marques, um capítulo dessa história foi encerrado e, agora, resta lidar diariamente com a ausência da neta

O último abraço da avó Claudina Chuê Marques em Mirella Poliane Chuê foi no hospital, dias antes da morte da menina (Foto: Acervo pessoal)

Cerca de 14 horas após ouvir a sentença que condenou Jaíra Gonçalves de Arruda pelo assassinato da enteada Mirella Poliane Chuê, à época com 11 anos, a avó da menina, Claudina Chuê Marques, diz que viu a Justiça ser feita.

Ela, que atendeu a equipe de O Livre pelo telefone na manhã deste sábado (11), afirmou estar satisfeita com a pena de 26 anos e 8 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, sem possibilidade de recorrer em liberdade, que foi dada após um Júri Popular que durou dois dias e acabou nessa sexta-feira (10).

No momento em que falava sobre o julgamento, recordou de quando a menina era viva e do que lhe foi arrancado por uma morte brutal. “Nessa hora que ela costumava chegar”, disse enquanto olhava para o portão da casa em que mora, em Cuiabá.

Contudo, o portão não se abre mais para a entrada de Mirella Poliane Chuê, que hoje teria 14 anos e foi envenenada pela madrasta, Jaíra Gonçalves de Arruda, há 2 anos. A motivação para o crime: uma indenização de R$ 800 mil recebida por Mirella. O dinheiro era resultado de uma ação judicial pela morte da mãe da menina no parto.

Justiça feita

Para Claudina, com a condenação de Jaíra, foi feita a Justiça por Mirella. “Não temos culpa do que ela fez, ela judiou demais. Mirella sofreu muito”, relata.

A avó da garota se lembra do último abraço dado na neta, durante a última internação de Mirella, dias antes da morte. Naquele domingo, 9 de junho, Claudina passou a noite no hospital e, ali, abraçou a neta, como ficou registrado em uma foto.

No dia seguinte, Mirella teve alta. Na terça-feira foi à escola e, na quarta-feira, começou a passar mal novamente. Na quinta-feira, 13 de junho, não resistiu e morreu. “Olhando essa foto, quem diria que ela morreria dali a poucos dias?”, questiona Claudina.

A avó ainda guarda objetos da neta, como por exemplo, o caderno usado das aulas de crisma e se mostra indignada porque, durante o julgamento, testemunhas de defesa de Jaíra, sinalizaram que a avó poderia ser a responsável pelo envenenamento da neta.

Saudades

Mirella ia aos sábados para a casa da avó materna, Claudina (Foto: Acervo pessoal)

Agora, com esse capítulo da história encerrado, resta lidar com a saudade que a partida repentina da neta deixou. Claudina diz que o sofrimento não passa, a condenação da culpada pela morte não trouxe a menina de volta.

“Foi uma morte que ninguém esperava, é uma história que ainda dá muita dor no coração, ela e minha filha [mãe de Mirella, Poliane] estão sempre na memória”, diz.

A condenação de Jaíra

Jaíra foi condenada a 26 anos e 8 meses de prisão pelo crime de homicídio, praticado por motivo torpe, com emprego de veneno e sem possibilidade de defesa da vítima. O assassinato ainda foi considerado hediondo, ou seja, um crime que causa repulsa.

De acordo com o processo judicial, Jaíra envenenou Mirella diariamente de abril a junho de 2019. O veneno escolhido foi carbofurano – usado em inseticidas – , que causava dores de cabeça, diarreia, confusão mental e muita fraqueza.

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