Atropelamento na Valley: MPE denuncia motorista e inocenta sobrevivente

Para o MPE, o fato de a jovem ter dançado no meio da rua não contribuiu para a morte dos amigos

A bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, de 34 anos foi denunciada à Justiça pelo Ministério Público de Mato Grosso nesta quinta-feira (31). Ela é acusada de ter atropelado três jovens em frente à boate Valley Pub, em Cuiabá. O caso aconteceu no dia 23 de dezembro de 2018. Duas vítimas morreram.

Conforme o Ministério Público, Rafaela deve responder por dois homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) e homicídio tentado.

A única sobrevivente do acidente, Hya Giroto Santos, chegou a ser indiciada por homicídio culposo – quando não se tem a intenção de matar. Contudo, o Ministério Público arquivou o caso em relação à jovem de 22 anos justificando “absoluta atipicidade de sua conduta”. Ou seja, que ela não tinha compreensão de que os amigos poderiam morrer por conta de seu comportamento intempestivo.

Imagens do local do acidente gravaram quando o grupo de amigos deixou a boate. No vídeo é possível ver que Hya fez diversas brincadeiras durante a travessia na rua. O trio acabou atropelado quando a jovem parou para dançar e o carro de Rafaela desceu pela pista.

Segundo o MPE, Hya não tinha consciência de que poderia causar o atropelamento e morte dos amigos. Ainda, alega que a jovem “não teve sequer conhecimento do que a motorista viria a fazer e, portanto, não poderia ter consciência de que colaborava de alguma forma para o evento”.

“A circunstância de uma das vítimas, momento antes, ter dançado na pista, é condição que não guarda relação de causalidade com o resultado do ponto de vista penal”, diz trecho da denúncia.

Em outra parte, o Ministério Público conclui: “é inegável que a motorista Rafaela, com o seu comportamento consciente, voluntário e perigoso, provocou um novo nexo de causalidade determinando, por si só, o resultado criminoso”.

O caso

O atropelamento aconteceu na madrugada de 23 de dezembro, na Avenida Isaac Povoas, em Cuiabá. Naquela ocasião, a sobrevivente Hya Giroto estava com dois amigos em frente à boate Valley Pub quando, ao atravessarem a avenida, foram atropelados.

Mylena de Lacerda Inocêncio, de 22 anos, morreu no local. O cantor Ramon Alcides Viveiros, de 25 anos, morreu dias depois, em um hospital particular de Cuiabá. Hya passou meses em recuperação no hospital, tendo sofrido diversas lesões gravíssimas.

Conforme a Polícia Civil, Rafaela dirigia embriagada e em velocidade acima do permitido. Por isso também, o Ministério Público concluiu que ela assumiu o risco de causar uma morte.

(Com assessoria)

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