80% das escolas estaduais estão em cidades com alto risco de se contrair covid

Secretaria de Educação sustenta que mais 300 mil alunos não têm condições de retornar às aulas presenciais nas próximas semanas

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Mais de 80% das escolas em Mato Grosso estão em cidades hoje classificadas como de “risco alto” ou risco “muito alto” para contaminação pelo novo coronavírus. São 89 municípios que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) avalia como sem estrutura hospitalar para receber pacientes da pandemia e, paralelamente, com um número de infectados elevado. 

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9) pela secretária de Educação, Marioneide Angélica Kliemaschewsk. Conforme ela, são 303.468 alunos do ensino fundamental e médio que não têm nenhuma condição de retomar as aulas presenciais nas próximas semanas. 

Esse grupo representa cerca de 67% dos 450 mil alunos matriculados na rede pública de ensino e correspondem a 607 das 759 escolas administradas pelo Estado. 

“Nós temos estudado nos últimos quatro meses mecanismo para não deixar os alunos da rede estadual perderem o ano escolar. O desafio é muito grande, porque, para se ter uma ideia, só tivermos uma situação semelhante a essa na gripe espanhola [1918]”. 

A maioria dos estudantes da rede estadual está matriculada no ensino fundamental, com alunos que vão dos 9 aos 15 anos de idade. Eles representam 65% demanda. Já os alunos do ensino médio correspondem a 38% e da os pré-escola são 0,15%. 

Os dados foram apresentados em um seminário sobre a Educação durante a pandemia moderado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). 

Vida escolar enfraquecida 

Marioneide Angélida afirma que o desafio tem sido unir tecnologia da informação e o nível de aprendizagem dos alunos nas aulas remotas.  

A própria secretária admitiu que a qualidade de absorção das disciplinas caiu nos últimos quatro meses e que o resultado da aprendizagem pode ficar abaixo do esperado para 2020 em comparação com anos anteriores.

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Além de cuidados com estudantes das séries iniciais, o desafio está em manter a continuidade na vida escolar daqueles que estão na rede final do ensino básico.  

Conforme a secretária, 28% da evasão ocorrem no ensino médio e 49% dos que permanecem não demonstram mais interesse em fazer o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), porta de entrada para o ensino superior. 

“Não vamos expor nenhum aluno ao contágio, só vamos retomar as aulas quando houver um parecer de que o ambiente está seguro para o retorno para as aulas. Mas precisamos lidar com outros desafios”, afirmou. 

O Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público em Mato Grosso (Sintep-MT) diz que tem sido constante, desde o início da pandemia, reclamações de pais ou responsáveis por alunos de falta de habilidade para auxiliar nas tarefas repassadas pelas escolas. 

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