Silval diz que recebeu R$ 7 milhões para conceder estrada a empresa da família de Nininho

Ednilson Aguiar/O Livre

deputado, Nininho

Deputado estadual teria repassado R$ 7 milhões ao ex-governador

O ex-governador Silval da Cunha Barbosa (PMDB) afirma que recebeu R$ 7 milhões em propinas para assinar a concessão de um trecho da MT-130 à Morro da Mesa Concessionária S/A, empresa ligada à família deputado estadual Ondanir Bortolini, conhecido como Nininho (PSD). Segundo o delator, ele mesmo pediu a propina e os valores foram pagos pelo próprio deputado.

As informações constam no acordo de colaboração premiada fechada pelo ex-governador junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília. Silval entregou crimes envolvendo políticos e empresários em Mato Grosso entre os anos de 2006 e 2014.

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Silval conta ter sido procurado por Nininho e Eloi Bruneta, diretor da concessionária, em 2011. O ex-governador relata que, após a reunião, ele e Nininho conversaram reservadamente e Silval propôs que o deputado quitasse  algumas dívidas suas. Ele afirma que pediu a Nininho que conversasse com os demais representantes da empresa sobre os pagamentos.

O trecho de 122 quilômetros entre Rondonópolis e Primavera do Leste da MT-130 tem pedágios, nos quais o deputado pretendia recuperar o investimento. O ex-governador diz que determinou que o titular da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) executasse os trâmites administrativos – ele não se recorda se a pasta era ocupada por Arnaldo Alves ou por Sinésio de Oliveira à época.

Segundo Silval, os pagamentos da propina foram feitos com 22 cheques, com vencimento mensal, no valor de R$ 320 mil emitidos pela Construtora Trípolo Ltda, que pertence à família de Nininho. Ele diz que recebeu os cheques pessoalmente do deputado.

O ex-governador conta que utilizou parte dos valores recebidos para o pagamento de uma dívida com o empresário Jurandir da Silva Vieira, proprietário da Solução. O débito havia sido contraído com aval de Silval por Robério Garcia, conhecido como Berinho (PSB), sócio da construtora Engeglobal, além de Carlos Avalone (PSDB), atual secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso e um dos donos da construtora Três Irmãos, e seu irmão e sócio Marcelo Avalone.

Sem fundos

Silval diz que três cheques não tinham fundos e foram devolvidos a Nininho, que então repassou os respectivos valores em dinheiro. Outros cinco cheques foram entregues pelo ex-governador a seu filho Rodrigo Barbosa, que os trocou por dinheiro na Solução.

Rodrigo diz, em sua delação premiada, que Jurandir Vieira não tinha conhecimento da origem dos cheques, apenas sabendo que eles pertenciam a Silval Barbosa. Para a transação, contudo, não foi apresentado contrato ou fatura.

Silval conta ainda que acredita ter utilizado parte dos cheques para pagamentos ilegais a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em um esquema para destravar obras da Copa do Mundo de 2014, ao empresário dono factoring Valdir Piran – um dos operadores do esquema – e também a deputados estaduais.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do deputado Nininho, que afirmou que irá se posicionar “em um momento oportuno”. Também foi tentado contato com o secretário Carlos Avalone em seu celular, mas as chamadas caíram na caixa postal – o Gabinete de Comunicação (Gcom) afirmou que as informações são de cunho pessoal e não dizem respeito à gestão atual. O LIVRE não conseguiu contato com Robério Garcia nem Marcelo Avalone.

Por meio de nota, o TCE nega que os conselheiros tenham recebido valores ilegais e afirma que a atuação do tribunal se pauta por critérios técnicos. A reportagem também não conseguiu contato com a defesa de Valdir Piran.

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