Resíduos que valem ouro: hotel de MT adota cultura sustentável e transforma lixo em “dividendos”

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Entre 30% e 40% de todo o lixo que é produzido na Rede de Hotéis Mato Grosso é separado e comercializado. E, do que sobra, muito pouco vai para o aterro sanitário. O material é encaminhado para compostagem, recicladoras e usinas capazes de garantir um novo ciclo ao material.

Os resultados positivos fazem parte do plano de Gestão Ambiental e foram alcançados com pouco investimento em estrutura, porém grande esforço em mudança comportamental, seja com capacitações, seja com sensibilizações.

Desde a entrada do hotel, a questão é aborda com coletores separados para cada tipo de material, mensagens relacionadas com a preservação do meio ambiente e até mesmo a decoração e o nome dos ambientes têm como temática principal a natureza.

Todos os funcionários recebem cursos e são habilitados a atuar conforme o plano de gestão ambiental da empresa. As camareiras, por exemplo, já levam dentro do carrinho de limpeza as sacolas específicas para trazer o que pode ser reciclado.

Maria Damásio aprendeu o valor do lixo e levou os princípios da reciclagem para casa. Foto: (Ednilson Aguiar/O Livre)

Quando entram nos quartos, a primeira ação é separar o que pode ser encaminhado para a reciclagem e o que vai para o lixo comum. Assim, enquanto os restos de comida vão para um recipiente, os papelões, plásticos e latinhas vão para o outro.

Depois de reunidos, tudo acaba na área de separação, onde estão instalados vários bags – similares aqueles de areia -, sendo que cada um é exclusivo para um tipo específico de material.

A camareira Maria Damásio tem tanto cuidado com o tratamento do lixo, que faz questão de cuidar até mesmo da sacola de transporte, para usar mais de uma vez. Ela está há 8 anos na empresa e acredita que se as pessoas não mudarem o comportamento, logo estaremos “nadando em lixo”.

Foto: (Luiz Alves/ O Livre)

Quando o processo de reciclagem do lixo foi iniciado na empresa, Maria já fazia a separação em casa. Naquela época, as latinhas e garrafas pets eram armazenadas e entregues para pessoas que viviam da reciclagem e passavam na porta da casa dele.

Hoje, ela percebeu que tudo tem valor e pode retornar ao uso das pessoas de alguma forma.

Quanto custa e para onde vai

A campeão no ranking de valor agregado é a latinha de alumínio. O mercado paga em média R$ 5,70 pelo quilo do material. O segundo da lista é a garrafa pet – R$ 0,80/kg – e depois os plásticos em geral – R$ 0,50/kg.

O último da lista de rentabilidade, porém não mesmo importantes são os papelões, que são avaliados em R$ 0,11 centavos por quilo. Joab Almeida Silva, gestor ambiental da Rede de Hotéis Mato Grosso, explica que a não é apenas o valor monetário que conta.

Tanto que os resíduos que são encaminhados para a compostagem ou os vidros, por exemplo, não obtém nenhum tipo de remuneração. Contudo, a destinação correta dos materiais, a as regras de reciclagem, uso e reuso precisam estar dentro da identidade da instituição.

Foto: (Luiz Alves/ O Livre)

“No caso do vidro, por exemplo, não há comércio. Porém, levamos para a indústria que tritura e faz com que o material se transforme em novas garrafas. Garantimos mais um ciclo para aquele produto, não o descartamos no aterro sanitário e também não deixamos ele no lixo comum, onde pode até mesmo causar acidentes”, explica o gestor.

Joab esclarece ainda que todo dinheiro adquirido com as vendas acaba sendo reempregado nos processos e nas capacitações relacionadas a própria gestão ambiental.

O que o hotel ganha com isso?

Nesse ponto, o gerente coorporativo da Rede de Hotéis Mato Grosso, Sérgio Ferreira, sabe nos explicar em poucas palavras: “conquistamos mais os hóspedes”. Ele, que já trabalhou em redes em outros estados do Brasil, conta que muitas multinacionais exigem o compromisso com o meio ambiente antes de permitir que os executivos dela se hospedem em um lugar.

Ferreira relata que a maior parte das empresas de grande porte tem uma espécie de portfólio, no qual elenca quais hotéis podem ser usados pelos executivos e funcionários durante as viagens. E, para conquistar um espaço nesse rol seleto não é fácil.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Uma verdadeira sabatina é realizada com os estabelecimentos, nos quais são questionados os processos de gestão, a relação com a cidade e principalmente, o plano de gestão ambiental, bem como as certificações que comprovem o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável.

Além dos clientes coorporativos, ainda há os individuais, que estão cada vez mais exigentes. Cada dia que passa, explica o gerente Coorporativo, é mais comum o cliente deixar todo lixo dele separado no quarto. Também ganhou frequência as perguntas relacionadas a reciclagem e uso consciente dos recursos naturais.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Esse tipo de atitude explica o sucesso do Hotel, porque ainda é tão dificil para outros seguirem o exemplo? Basta boa vontade e um pouco de senso de humanidade e de responsabilidade com o nosso planeta.

  2. E ainda tem gente que é contra o desenvolvimento sustentável. Pelo amor de Deus gente, se não fazermos nossa parte para ajudar o meio ambiente não haverá futuro. Ótimo exemplo dado pela rede de hotéis.

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