Servidora exonerada do Ganha Tempo volta a dizer que Seplag pressionou servidores a mentir para delegado

Em ata registrada em cartório, servidora demitida em 2021 diz que investigação contra o consórcio Rio Verde foi induzida pela secretaria

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A servidora exonerada do Ganha Tempo em Cáceres (214 km de Cuiabá), Hanielle Muriel Torquato Deluque, registrou nova denúncia em cartório sobre suposta manipulação da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplag) para incriminar o consórcio Rio Verde, ex-administrador programa. 

Ela (que foi fiscal e chefe da unidade de Cáceres) diz que servidores do posto foram orientados pela Seplag a atribuir ao consórcio fraudes de atendimento em seus depoimentos a investigadores, em 2020. 

A informação está em ata do 2º Cartório de Ofício de Cáceres registrada no dia 20 de janeiro deste ano. A servidora exonerada diz que a informação foi repassada pelos atendentes ouvidos na investigação da Polícia Civil e da Controladoria Geral do Estado (CGE). 

A suposta manipulação teria induzido os investigadores em erro e ao elevado número de depoimentos contra a Rio Verde.  

Hanielle Muriel já havia registrado uma ata, em 2021, com a informação de que a Seplag a teria pressionado a fabricar provas contra a empresa, contra o ex-administrador Osmar Linares Marques e exigir dos servidores, durante a sua coordenação, a mentir sobre a origem do erro com os cadastros duplicados no Ganha Tempo. 

Na época, ela disse que informara ao servidor com posição acima dela, responsável pelo programa, identificado como Túlio da Fonseca Turíbio, que o problema seria gerado pelo programa da empresa Visual Sistema, administradora do software de cadastro. 

 Ela teria sugerido uma mudança no cadastro para solucionar a duplicação, mas a “Seplag exigia ofícios com informação de que a duplicação de CPFs [usado no cadastro] era uma fraude”. 

“O erro da Seplag preponderou e produziu uma cascata de problemas. O mais grave deles foi ter induzido a Controladoria Geral do Estado e o Ministério Público a levarem adiante acusação e denúncia criminal por falsos atendimentos”, diz trecho do depoimento em ata. 

Hanielle Muriel foi demitida do cargo em junho do ano passado, logo após o registro da ata com as informações contra a Seplag. Ele diz que a exoneração não foi justificada e decorreu de perseguição política. 

O que diz a Seplag? 

Em nota, a Secretaria de Planejamento disse que as declarações da ex-coordenadoras são “unilaterais” e “totalmente infundadas”. A Seplag enfatiza a medida cautelar autorizada pela 7ª Vara Criminal contra o consórcio Rio Verde e o foco da investigação sobre a duplicação CPF. 

“A Seplag sempre se pautou pela lisura e ética com a estrita observância dos princípios norteadores da administração pública, em especial o da eficiência que é o aliado a inovação, resolutividade e resultado”, afirmou. 

Sobre as supostas acusações de servidores, a secretaria afirmou que são funcionários efetivados do Estado com nove anos de carreira, durante a qual não haveria prova de distorção de suas funções. 

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