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Economia

Tecnologia: profissão para quem tem inteligência acima da média? Google diz que não

Relatório do Google aponta como a qualidade da educação afeta o mercado de tecnologia no Brasil
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Laura Nabuco

Quem acompanha o mercado de tecnologia mundial sabe que, desde meados de 2022, uma onda de demissões em massa – também chamadas de layoffs – atinge grandes empresas. Milhares (literalmente, milhares) de profissionais foram dispensados. Mesmo assim, um relatório da Google divulgado recentemente aponta uma escassez de talentos.

De acordo com o documento, “o número de vagas disponíveis para profissionais qualificados no setor, já há algum tempo, é diretamente proporcional ao número de pessoas desempregadas no país”. E, para a Google, no caso do Brasil, o problema vai muito além da qualificação em tecnologia: é uma questão estrutural da educação.

Chamado de Panorama de Talentos em Tecnologia, o relatório foi realizado após uma série de pesquisas com a colaboração da Associação Brasileira de Startups (Abstartups) e da agência de pesquisas Box 1824.

Entre os pontos identificados está o de que 92% das startups brasileiras acreditam que faltam profissionais de tecnologia no Brasil. E essa ausência é encarada como uma questão que afeta a taxa de sobrevivência dessas empresas.

A maior dificuldade é encontrar profissionais de nível sênior, ou seja, que tenham mais experiência e conhecimento acumulados. Entre os motivos apontados pelas próprias startups, 3 se destacam por estarem diretamente relacionados à qualidade do ensino básico no país.

  • 89% acreditam que ensino de pensamento lógico (habilidade básica necessária para quem quer atuar no mundo tecnológico) é defasado nas escolas do Brasil;
  • 78% vêm um grande afastamento entre os jovens brasileiros e bases deconhecimento para tecnologia;
  • 55% avaliam que existem poucas condições para se estudar tecnologia no país.

O panorama da Google afirma que o Brasil está entre os 10 piores desempenhos em matemática, num ranking de 79 países, sendo que “68% dos estudantes não têm conhecimentos básicos” dessa disciplina.

Essa lacuna estrutural na base do ensino prejudica, por exemplo, as áreas mais complexas do setor de tecnologia, como o de Inteligência Artificial, que necessita de profissionais com especializações ainda mais avançadas.

“Além disso, essa defasagem ajuda a alimentar mitos ligados à carreira de tecnologia, como o de que certas habilidades são ‘dons’, ou ainda que tais profissões são reservadas a pessoas com inteligência singular, gênios”, diz o documento.

Aprendizagem (des)continuada

Para quem supera esses desafios iniciais e entra na carreira, a ausência de profissionais de nível sênior, de acordo com o panorama da Google, é o que impede a continuidade do aprendizado e aperfeiçoamento. Profissionais juniores acabam não enxergando nas empresas brasileiras um ambiente para seu desenvolvimento profissional, já que falta quem os ensine, na prática do dia a dia, novas habilidades.

“Essa falta afeta a perspectiva de carreira dos profissionais iniciantes, criando um ambiente fértil para que muitos talentos aceitem trabalhar para empresas de fora do país”, aponta o documento, citando como vantagens agredadas a essas vagas no exterior a garantia de trabalho romoto e vantagens financeiras, já que o pagamento é feito em moeda estrangeira.

Entre os achados da pesquisa nesse contexto, destacam-se:

  • 60% das startups concordam que a remuneração no mercado brasileiro não é competitiva, comparada a mercados internacionais.
  • 45% têm intenção de ter iniciativas de desenvolvimento, mas não têm os recursos necessários.

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