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Quem invadiu o espaço de quem? Entenda o dilema das capivaras nos parques

Capivaras são hospedeiros do carrapato estrela, transmissor da doença
Foto de Caroline Rodrigues
Caroline Rodrigues

As pessoas podem não saber responder o enigma “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”, mas certamente sabem dizer se quem chegou primeiro em Cuiabá foram os parques ou as capivaras?

A reflexão se torna cabível porque recentemente a Prefeitura de Cuiabá, alegando risco à saúde humana, anunciou o interesse de retirar os animais silvestres – já não tão silvestres assim – dos espaços públicos, o que gerou uma comoção entre os frequentadores.

Muitos deles são moradores antigos da Capital mato-grossense e se habituaram à presença dos animais, que estavam ali muito antes de a cidade ganhar as dimensões de metrópole que tem hoje.

Capivaras viraram protagonistas em flagrantes adoráveis na internet.

Mas a pergunta é: esse risco existe? E como seria a forma correta de se fazer esta remoção?

Diretora-adjunta do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Adriana Borsa explica que os locais eram o habitat dos animais e a pessoas chegaram depois e geraram o desequilíbrio ecológico. Quer dizer, os predadores naturais dos bichos foram retirados.

Dessa forma, perdeu-se o controle das populações de capivaras e, sem o acompanhamento necessário há risco, sim, mas eles podem ser evitados.

Febre maculosa

Borsa cita que as capivaras são o hospedeiro de um parasita, que usando dos carrapatos, podem causar a febre maculosa, uma doença grave e que pode levar o ser humano à morte.

Contudo, não foram registrados casos da doença em Mato Grosso, apenas em algumas cidades do Sudeste. Além disso, ela pode ser evitada com o monitoramento e acompanhamento sanitários dos animais.

Não há registro de ataques de capivaras a seres humanos (Foto: Arquivo)

Lembrando que o controle, também é algo essencial para evitar as superpopulações, por meio de um plano de manejo biológico.

Elas podem ser reinseridas na natureza?

A especialista não descarta a possibilidade, mas reafirma que tudo depende de um estudo prévio, que determina a condição dos animais, a territorialidade e a logística para isso.

Resumindo: não dá para despejar as capivaras do parque, de qualquer jeito.

Na avaliação da médica veterinária, o ideal seria que houvesse uma parceria entre a UFMT e a prefeitura para se definir o destino dos animais.

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O que a prefeitura fala sobre isso?

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano informou, por meio de nota, que está em diálogo com professores dos cursos de Biologia e Medicina Veterinária da UFMT para avaliar qual a melhor decisão sobre as capivaras que residem nos parques públicos de Cuiabá, em especial no Parque Tia Nair.

Segundo a Secretaria, uma das ações avaliadas é a possível castração dos machos da espécie, com objetivo de controlar a população nesses ambientes.

Outra medida seria a instalação de sinalização adequada sobre a presença de animais silvestres na região, para que motoristas redobrem a atenção e evitem acidentes.

A Secretaria lembra ainda que as capivaras não são considerados animais agressivos e que não há relatos de ataques contra humanos, sendo possível a convivência pacífica nos parques.

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