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“Minha filha está com quem?”, questiona mãe de Isadora, desaparecida há 100 dias

Foto de Natália Araújo
Natália Araújo

Bastante emocionada e com as mãos tremendo muito, a enfermeira Marina Pedroso relatou, em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (26), como foram esses 100 dias sem qualquer notícia da filha.

Isadora Praeiro Pedroso Ardevino, de 8 anos, está com o pai, o advogado João Vitor Almeida Praeiro Alves, em São Paulo. A menina deveria ter sido entregue à mãe, que mora em Cuiabá, em julho, mas isso não aconteceu.

Naquele mês e também em setembro, a Justiça de Mato Grosso expediu dois mandados de busca e apreensão, mas nenhum foi cumprido. João Vitor não entrega a criança e nem revela o seu paradeiro.

Um procedimento foi instaurado na Polícia Civil de Bauru (SP), mas nem mesmo nas oitivas do pai e da avó paterna foi cobrada a apresentação de Isadora.

“Não está com o pai, não está com a avó paterna. Minha filha está com quem?”, questionou Marina, em meio às lágrimas. “Hoje faz 100 dias que estou atrás de notícias da minha filha, que meu outro filho pergunta da irmã, 100 dias que eu não ouço a voz dela. É uma dor imensa”, disse.

(Foto: Ednilson Aguiar / O Livre)

Marina negou que a filha tenha sofrido abusos físicos ou sexuais e lembrou que o processo foi iniciado por João Vitor, em 2016, quando havia também uma denúncia contra ele na lei Maria da Penha. À época, o advogado propôs à Marina um acordo de retirada da denúncia, caso ela também voltasse atrás.

“Então, o processo foi arquivado. Que pai proporia um acordo assim se houvessem abusos? E mais, por que ele não fez a denúncia no ano passado, quando ficou 5 meses com a Isadora?”, questionou.

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A enfermeira explicou ainda que tem medida protetiva contra o pai da menina por conta de violência psicológica. De acordo com a jovem, desde o nascimento da filha, o relacionamento foi conturbado com João Vitor.

Segundo Marina, o advogado aproveita da influência que tem para promover ameaças.

“Quando a Isadora era pequenininha, ele disse para mim um dia ‘se alguém pegar a minha filha no colo, você vai ver o barraco que eu vou fazer e nada vai acontecer comigo porque sou filho de defensor público’. Sempre foi assim. Por isso, em julho, pedi a medida protetiva contra ele”, narrou. João Vitor é filho de um defensor público estadual.

Quarta vez

Essa é quarta vez que João Vitor pega a filha e não a devolve, mas a primeira que desaparece, disse Marina. Neste ano, uma outra ordem de busca e apreensão foi emitida para que fosse feita a devolução da criança à mãe, em abril.

A enfermeira, inclusive, acredita que essa influência de João Vitor esteja resultando na lentidão do processo. “O juiz simplesmente sentou no meu processo e não faz absolutamente nada!”, reclamou.

“Eu estou pedindo socorro, pelo amor de Deus, que alguém faça alguma coisa por mim e pela minha família. Vocês não tem noção da dor que é pra uma mãe estar passando por tudo isso”, argumentou.

O processo tramita na Quinta Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá. Sobre o procedimento, Marina e sua advogada Ana Lúcia Ricarte, assim como João Vitor, não podem tecer comentários. A proibição foi determinada pela Justiça de Mato Grosso, em ação proposta pelo pai de Isadora.

Afastamento escolar

Marina Pedroso disse que a filha está cada vez mais isolada e reclama não ter notícias da menina (Foto: Ednilson Aguiar / O Livre)

A mãe da garota narrou ainda que a escola de Isadora informou que há um mês não tem computado a presença da menina nas aulas remotas. A última participação da criança, com a entrega das atividades, foi em agosto. A escola, inclusive, afirmou que, diante da evasão escolar da garota, comunicaria o Conselho Tutelar.

Marina procurou uma psicóloga sulista especialista em alienação parental. Em seu laudo, datado de 18 de outubro, Luciana Generali Barni, sugeriu, do ponto de vista técnico, “a modificação do regime de guarda e convivência com os genitores”.

Atualmente, a guarda é compartilhada, mas na opinião da especialista, deveria ser transferida unilateralmente para a mãe, “com um formato de convivência com o genitor que não gere risco à filha”.

Outra sugestão é pela realização de perícia psicológica ou biopsicossocial, prevista na lei de Alienação Parental.

Uma audiência judicial está marcada para o início do próximo mês, mas Marina se diz apreensiva e temerosa que o pai não apresente a filha. Mesmo assim, deixou um recado à menina.

“Eu só queria dizer que (a) amo demais e estamos esperando ela voltar para casa”, concluiu.

O que diz a defesa de João Vitor?

A assessoria de imprensa de João Vitor encaminhou uma nota informando que o pai prefere não se posicionar sobre o caso, uma vez que o processo corre em segredo de Justiça.

Confira a nota na íntegra:

“Em virtude do segredo de justiça que tutela os processos que envolvem crianças e adolescentes, objetivando respeitar e resguardar integridade psicológica, moral e física, evitando expor sua intimidade, preferimos não nos manifestar neste momento.

Acreditamos, sobretudo, que o Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso, tem competência legal para decidir o que for de melhor interesse para a menor.

Por todo o exposto agradecemos o trabalho da imprensa e a disponibilidade para o contraditório, no que pedimos sensibilidade neste momento processual, onde todas as partes terão oportunidade de produzir suas provas”.

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