Caso Isadora: familiares fazem protesto e pedem fim de “sequestro”

Menina foi visitar o pai em São Paulo há 3 meses e ele não a devolveu para a mãe, que luta na Justiça para reaver a filha

(Foto: Natália Araújo / O LIVRE)

Familiares e amigos de Isadora Praeiro Pedroso Ardevino, de 8 anos, já estão há mais de 30 dias sem qualquer notícia da menina. Sem vê-la o tempo sobe para três meses. A menina não foi devolvida pelo pai o advogado João Vitor Almeida Praeiro Alves, conforme o combinado.

Diante da falta de informações, o grupo realizou uma carreata nessa quinta-feira (14), em Cuiabá, para pedir a volta da criança para casa da mãe. Os carros saíram do Fórum da Capital, seguiram até o Centro e finalizaram o trajeto na praça Ulisses Guimarães, no bairro Bela Vista.

Quem é Isadora?

Isadora é filha da enfermeira Marina Pedroso com João Vitor. Os dois tiveram um breve relacionamento e se separaram ainda durante a gravidez da jovem

O pai da criança morava em Cuiabá e há alguns anos mudou-se para São Paulo, mas mantinha contato com a filha. Em julho deste ano, Isadora estava com ele. Quando deveria devolver a menina à mãe, João Vitor pediu para ficar mais um tempo para passar o dia dos Pais.

Entretanto, depois dessa data, não cumpriu o combinado. Foi determinada a busca e apreensão de Isadora, mas a ordem judicial não foi cumprida por João Vitor. Depois disso, a menina já foi incluída no cadastro de crianças desaparecidas.

Família está mobilizada para pedir a volta da menina (Foto: Natália Araújo / O LIVRE)

Marina está em Bauru (SP) e busca pela filha de rua em rua, loja em loja. Por todos os lugares.

Aqui em Cuiabá, os avós maternos aproveitaram a mobilização para clamar pela volta da criança.

“Até quando nós vamos sofrer, quando essa menina virá para os nossos braços? “, diz a avó de Isadora, Wilma Porto Pedroso.

O avô, Marcos Antônio Gonçalves Ardevino, atenta para o psicológico da garota. “Como ela não está? Imagina o estado dela”, sofre emocionado.

A advogada que representa mãe e filha, Ana Lúcia Ricarte, define que a conduta do pai é de sequestro da filha.

”Ninguém pode fazer isso com uma criança! Ninguém pode fazer isso com uma mãe! Isso é, sim, um sequestro! Ele está fazendo exigências em juízo para entregar a criança. É uma conduta extorsiva”, critica.

Uma audiência do caso está marcada para o próximo dia 8 de novembro. Contudo, a advogada lembra que em outras ocasiões foi preciso acionar a Justiça para que João Vitor devolvesse Isadora. Uma delas foi em janeiro deste ano. Agora, 6 meses depois, foi feito um novo pedido e expedida a ordem judicial que ainda segue pendente de cumprimento.

Advogada Ana Lúcia Ricarte assumiu o caso e atua em defesa de Marina e Isadora (Foto: Divulgação / Assessoria)

Ricarte acionou a Seccional Mato-grossense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) para instaurar um processo ético quanto a conduta de João Vitor.

A OAB-MT explica que a competência para julgar casos criminais que envolvam advogados é do Judiciário.

No Tribunal de Ética e Disciplina (TED) tramitam processos relativos à conduta profissional. Mas, se, no âmbito judicial, for provada a materialidade de crime, o TED da instituição pode instaurar procedimento, se provocada ou por ofício, ou seja, ao ter acesso aos fatos via imprensa, por exemplo.

“Sendo assim, o processo que tramitar na OAB pode sim, ao final, concluir pela perda do registro profissional – a carteira do advogado, necessária ao exercício legal da Advocacia – por inidoneidade”, esclarece a nota enviada pela Ordem.

Escolha pelo silêncio

O Livre tentou contato com o advogado de defesa de João Vitor e foi informado que neste momento não haverá pronunciamento do processo que está em sigilo.
A reportagem tentou contato pelo telefone atribuído a João Vitor, mas as ligações não foram completadas.

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