Irmão de Silval relata suposta trama de Riva para matá-lo

Ednilson Aguiar/O Livre

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Na delação premiada que fez junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), Antônio da Cunha Barbosa Filho, irmão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), revelou uma suposta trama criada para atentar contra sua vida e contra a vida do deputado estadual Mauro Savi (PSB).

VEJA A COBERTURA COMPLETA DA DELAÇÃO

Segundo Toninho, como é conhecido o irmão de Silval, o ex-deputado José Geraldo Riva (sem partido) era o responsável por contratar os executores. Os episódios teriam acontecido no primeiro semestre deste ano, entre abril e maio.

No depoimento, Antônio Barbosa disse ainda que teme por sua vida e pela vida de Silval. Para ele, o ex-governador “sabe demais”. Diante da denúncia e dos documentos apresentados, o Ministério Público Federal (MPF) notificou o irmão de Silval a ficar em casa “em razão de grave ameaça”.

Telefone de Riva

Toninho relata conversas entre uma pessoa não identificada e um número gravado como José Riva e diz ter recebido uma imagem captada da tela de um celular com os dados do mesmo contato. 

No conteúdo da delação, está anexada uma certidão da Polícia Federal indicando que o telefone apontado como pertencente a Riva é, de fato, do ex-deputado. O LIVRE ligou para o número: uma mulher atendeu e disse que Riva é o dono da linha.

Reprodução/O Livre

Prints telefones Riva Ameaça

Atentado forjado

Na delação, são relatados dois episódios diferentes. O primeiro é uma suposta tentativa de Riva de simular um atentado contra si próprio para culpar Toninho.

Toninho diz que ficou sabendo do plano por meio de mensagens anônimas enviadas por WhatsApp por uma pessoa que se dizia amiga de Mauro Savi. Nelas, o remetente dizia que tinha sido contratado por Riva para o falso atentado, já tendo recebido metade do valor.

O denunciante dizia ainda que as ordens eram para, se fosse necessário, matar o motorista e jogar a culpa em Toninho e nos deputados Mauro Savi,  Guilherme Maluf (PSDB) e Gilmar Fabris (DEM). 

Arthur Passos

Antônio da Cunha Barbosa, o Toninho Barbosa

Toninho Barbosa, irmão de Silval Barbosa

Ao LIVRE, Mauro Savi confirmou que se encontrou com Toninho para tratar das denúncias e que procurou o governador Pedro Taques (PSDB) para pedir providências.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (30/08), Taques confirmou que recebeu o relato de Savi e disse que acionou o secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas. 

“Sim, isso é fato. Eu fui procurado pelo deputado Mauro Savi e imediatamente chamei o secretário de Segurança. Está tudo documentado e o secretário de Segurança vai mostrar a vocês todos os documentos”, declarou o governador.

Ameaça real

Toninho relata ainda que, um mês depois de receber as denúncias de um atentado forjado, em 24 maio, recebeu mensagens de um número desconhecido com imagens de conversas entre uma pessoa identificada como ‘Markim’ e um terceiro não identificado.

Nos diálogos, constavam as frases “Chefe a ordem é passar fogo nesse sujeito?” e “olha a foto e veja quem é, se é dos seus” acompanhadas de uma foto de Toninho que ele diz ter utilizado por um período no perfil do WhatsApp.

Toninho relata que perguntou: “quem tá mandando passar fogo?”. A resposta, diz o irmão de Silval, foi “Riva”.

Em outra conversa, o mesmo interlocutor anônimo teria fornecido mais detalhes da suposta trama. “Ele contratou um serviço e quis dar um tombo e aí deu um rolo e aí a turma sai fora porém pode ser que ele contrate outros desconhecidos”, disse a pessoa. “Ele tá desesperado e capaz de fazer qualquer coisa só não entendi o porquê do seu nome na lista que tive acesso”, completou.

 

Reprodução/O Livre

Prints telefones Riva Ameaça

 

Em 26 de maio, houve novo diálogo. A fonte enviou imagens de conversas entre um contato gravado como “José Riva” e um interlocutor desconhecido.

José Riva – “Preciso conversar com todos vocês”.
Interlocutor – “Conversar o que Riva”.
José Riva – “Precisamos conversar sobre o ex-governador e seu irmão e o Mauro S preciso antes dele sair da cadeia”.
Interlocutor – “É sobre aquele assunto”.
José Riva – “Perfeitamente estamos aguardando ao seu sim”.

A conversa continuou com o interlocutor afirmando que “Ricardinho” estaria pronto para atuar utilizando a expressão “positivo estamos em QAP (na escuta, em linguagem policial)” e fazendo menção a armas de calibre Ponto 40 e 380.

José Riva – “Já conversei com o promotor e está tudo acertado”.
Interlocutor – “Fechado”.
Interlocutor – “E em relação ao irmão do ex gover (sic) é pra sentar chumbo nele é isso”.
Interlocutor – “Tenho aqui toda a relação de onde ele anda e o que faz onde vai a família vou seguir como combinado”.
José Riva – “Se ele desconfiar acerta ele se não depois será mais difícil”.
José Riva – “O Mauro também” – provavelmente se referindo ao deputado Mauro Savi.

Outro lado

Por meio do advogado Rodrigo Mudrovitsch, o ex-deputado José Riva afirma que recebeu oferta dos executores, mas que entregou as conversas ao Ministério Público Estadual (MPE). Ele nega que tenha planejado qualquer atendado contra Antônio Barbosa ou Mauro Savi. Veja a íntegra da nota.

Nota de esclarecimento

“Em virtude da matéria jornalística veiculada pela mídia local acerca de eventuais ilicitudes praticadas contra a vida de terceiros, a defesa de José Riva vem a público esclarecer que a integralidade de todas as conversas mantidas por meio do aplicativo Whatsapp, notadamente daquelas em que lhe foram oferecidos serviços escusos e ilegais, foram entregues em tempo real às autoridades e são objeto de investigação sigilosa por parte do Ministério Público de Mato Grosso.

De toda sorte, em benéfico da ênfase, esclarece que jamais manteve qualquer tipo de contato com terceiros que envolvesse a integridade física ou moral de qualquer pessoa, nem mesmo através de ação controlada pelos órgãos investigativos do Estado do Mato Grosso”.

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