Gaeco tem dossiê contra 13 deputados suspeitos de esquema no Detran

Para evitar que o dossiê chamado “CPI Detran” viesse à tona, empresário pagou R$ 50 mil por mês

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O empresário José Henrique Ferreira Gonçalves, sócio da EIG Mercados (antiga FDL), afirmou que recebeu do também empresário Roque Anildo Reinheimer um dossiê contra 13 deputados, chamado “CPI Detran”. Em depoimento ao Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco), ele entregou o dossiê, no dia 27 de março, depois de ter sido alvo da Operação Bereré.

José Henrique disse que Roque estava insatisfeito com o fim do contrato entre a EIG e a empresa Santos Treinamento e Capacitação de Pessoal Ltda, criada apenas para gerenciar o contrato entre o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e a FDL. Para isso, a Santos recebia 30% do valor do contrato. Segundo as investigações, a Santos era uma empresa fantasma e o valor recebido era propina para manter o contrato da EIG.

Para compensar a perda, Roque queria uma participação na EIG, empresa que pertence a José Henrique e seu pai, José Ferreira Gonçalves Neto. Diante da negativa, segundo o empresário, Roque exigiu R$ 50 mil por mês para que a CPI não fosse para a frente, e ele acabou cedendo à pressão e pagando a propina mensal. Ele disse que esses pagamentos foram realizados pela EIG para a empresa RGC WAYS.

Depois da Operação Bereré, deflagrada em fevereiro deste ano, José Henrique disse ter sido procurado por Roque para assinar um contrato com data retroativa, que daria legitimidade aos pagamentos mensais da extorsão de R$ 50 mil. Ele disse que, na mesma ocasião, Roque enviou mais uma nota com vencimento em 15 de março de 2018, que não foi paga. José Henrique ainda entregou um vídeo mostrando a entrada e saída de Roque na sede da empresa FDL/EIG, em Brasília.

Encontro com Botelho

José Henrique disse que veio a Cuiabá a pedido de Roque no início de 2017, e se reuniu com ele no Hotel Odara. “Roque disse que teria treze deputados ‘em sua mão’ e entregou ao interrogando um dossiê denominado CPI DETRAN”, diz trecho do depoimento. Segundo o empresário, Roque dizia que “essa CPI estaria para ser aberta, e que era a última chance para que a CPI não fosse aberta, dizendo que queria um percentual da empresa FDL/EIG”.

O empresário relatou que, demonstrando preocupação, Roque o convidou para ir à Assembleia, onde foram recebidos pelo presidente, Eduardo Botelho (DEM), depois de duas horas de espera. Ele diz que o deputado pediu ajuda financeira para Roque.

“Botelho disse que o contrato estava em um equilíbrio bom para o estado, que não gostaria de receber qualquer vantagem desse contrato, mas ressaltou que Roque era uma pessoa muito boa e que estava passando por dificuldades financeiras, solicitando que o interrogando o ajudasse, caso entendesse justo”, relatou o empresário.

Operação Bônus

Na segunda fase da Bereré, chamada de Operação Bônus, o Gaeco e o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) prenderam o deputado estadual Mauro Savi (DEM). O Ministério Público Estadual (MPE) também pediu o afastamento de Eduardo Botelho do cargo, mas o desembargador José Zuquim Nogueira negou o pedido.

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