Empresa suspeita de pagar propina a adjunto tem contratos de R$ 5 mi com o governo

Empresa venceu licitação da Secretaria de Cultura, em fevereiro, no valor de R$ 4 milhões e outra da Casa Civil, de R$ 999 mil, em agosto

(Foto: Reprodução)

O governo de Mato Grosso assinou mais de um contrato neste ano com a empresa que teria pago R$ 20 mil – suposta propina – ao ex-secretário-adjunto de Administração Sistêmica da Casa Civil, Wanderson de Jesus Nogueira, preso em flagrante na noite dessa quinta-feira (24).

O caso é investigado pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).  

Uma fonte informou ao LIVRE que Wanderson Nogueira negociava facilitar a contratação da TMF Construções e Serviços Eireli. 

Neste ano, a apuração identificou dois contratos do governo com a empresa. Juntos eles somam quase R$ 5 milhões.

O primeiro foi assinado em fevereiro, pela Secretaria de Estado de Cultura e Esporte (Secel), no valor de R$ 4 milhões, para a reforma do Grande Hotel, em Cuiabá. 

O resultado da licitação foi publicado no Diário Oficial do dia 27 de fevereiro e, conforme a secretaria, o critério de escolha foi o de menor preço. 

A reforma do prédio de patrimônio histórico do Grande Hotel foi lançada para transformar o local em sede do Centro de Referência da Economia Criativa de Mato Grosso. O dinheiro para a obra veio de empréstimo com o Banco do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

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O outro contrato foi assinado em agosto, diretamente com a Casa Civil, no valor de R$ 999,5 mil. A TMF Construções e Serviços Eireli foi contratada para a manutenção do prédio da Governadoria e da Casa Civil, cujo recurso sairá da fonte 100. 

O contrato foi assinado no dia 25 de agosto com validade de 12 meses. O acordo foi firmado pelo próprio Wanderson Nogueira e por uma representante da TMF Construções e Serviços Eireli. 

A reportagem entrou em contato a empresa em Cuiabá e foi informada que, no momento, não havia ninguém no local que pudesse responder pela empresa. 

TMF Construções e Serviços Eireli presta serviços para o governo desde 2018. A primeira participação em concorrência pública ocorreu por meio de ata de registro de preço. 

Um termo aditivo assinado pela Empresa Mato-grossense de Tecnologia de Informação (MTI), outubro de 2019, ficou no valor de R$ 165 mil. O prazo de vigência encerra no próximo mês.

Caravana da Transformação 

O ex-secretário adjunto Wanderson de Jesus Nogueira foi nomeado como ordenador de despesa em 2019, mas está no serviço público há mais tempo.  

Ele também é citado na investigação de suposto desvio de recurso público por meio do programa de cirurgia de cataratas Caravana da Transformação, no governo de Pedro Taques (Solidariedade). 

O contrato investigado pelo Ministério Público por fraude foi assinado com a empresa 20/20 Serviços Médicos. Ela faz parte da investigação de irregularidades que somam R$ 46 milhões de supostos pagamentos pelo governo a serviços não prestados. 

Wanderson de Jesus Nogueira foi preso na noite dessa quinta-feira (24) pelo Gaeco com R$ 20 mil em mãos, que supostamente seriam de pagamento de propina. 

Hoje, o governo anunciou sua exoneração do cargo.

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