Eleição de Mesa Diretora da ALMT chegou a custar R$ 10 milhões, diz Riva

Segundo o ex-deputado, ao todo teriam sido desviados ao menos R$ 38 milhões da ALMT, apenas para compra de votos

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), José Geraldo Riva, detalhou ao Ministério Público de Mato Grosso (MPE) que as eleições para a mesa diretora da Casa de Leis chegaram a custar até R$ 10 milhões.

A informação consta em documento entregue ao MPE no início do ano, em uma tentativa de acordo de colaboração premiada.

De acordo com o ex-deputado, as propinas para garantir a eleição da mesa diretora tiveram aumentos gradativos, indo de R$ 2 milhões aos R$ 10 milhões, cada eleição. O valor máximo foi cobrado em 2013, quando a imagem de Riva já estava desgastada.

O começo

Riva detalhou que, logo quando entrou na Assembleia Legislativa, em 1995, houve pagamento das verbas extras. Naquele ano, Riva tornou-se 1º secretário por uma composição de seu partido. Segundo ele, foi o ex-deputado Gilmar Fabris (PSD) quem, na época, coordenou a campanha. Ele não informou os valores pagos nesta eleição.

Já para a diretoria de 1997-1999, R$ 2 milhões foram despendidos para pagamento de propina. Riva seria eleito presidente da ALMT pela primeira vez, tendo como 1º secretário Romoaldo Júnior. Conforme o ex-deputado, o pagamento foi feito com dinheiro desviado da própria Assembleia.

Nessa época, segundo informou José Riva, teriam participado das negociações os então deputados: Eliene Lima, Paulo Moura, Dito Pinto, Amador Tut, Manoel do Presidente (Manoel Ferreira de Andrade), Jorge Abreu, Ricarte de Freitas, Emanuel Pinheiro, Zilda Pereira Leite, Moisés Feltrin e Nico Baracat. Cada um teria recebido entre R$ 150 mil e R$ 200 mil.

O valor de propina tornou a aumentar. Na eleição seguinte, 1999-2001, Riva afirmou ter gasto R$ 3 milhões com compra de votos. Dessa vez, os valores foram arrecadados com auxílio do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. O montante seria desviado posteriormente da ALMT.

Segundo ele, venderam seus votos os deputados: Eliene Lima, Pedro Satélite, José Carlos de Freitas, Nico Baracat, Joaquin Sucena Rasga, Amador Tut, Emanuel Pinheiro, Gonçalo Domingos de Campos Neto, Dito Pinto, Alencar Soares e Carlão Nascimento.

Deixando a presidência, na mesa diretora de 2001 a 2003, Riva passou a ser o 1º secretário. Conforme afirmou, mais R$ 3 milhões foram necessários para comprar votos dos colegas parlamentares. Dessa vez, o recurso voltaria a ser retirado da própria ALMT.

Foram delatados por José Riva os deputados: Eliene Lima, Pedro Satélite, José Carlos de Freitas, Nico Baracat, Joaquin Sucena, Amador Tut, Emanuel Pinheiro, Campos Neto, Dito Pinto, Carlos Carlão Nascimento e Alencar Soares. Eles receberam, cada, entre R$200 mil e R$250 mil.

A mesa diretora de 2003 e 2005, por sua vez, teve um “consenso” entre os deputados. Contudo, com a deflagração da Operação Arca de Noé, em dezembro de 2002, Humberto Bosaipo desistiu de participar. Assim, ele foi substituído com Silval Barbosa.

Como Silval não tinha muita participação entre os parlamentares, novos R$ 3 milhões foram desviados da ALMT para compra de votos. Conforme José Riva, o dinheiro foi fruto de um empréstimo feito com os empresários Valcir e Valdir Piran. Depois, assim como Arcanjo, eles também seriam pagos com dinheiro desviado da Casa de Leis.

Por essa eleição, teriam recebido propina os deputados Alencar Soares, Carlão Nascimento, Dilceu Dal’Bosco, Pedro Satélite, Nataniel de Jesus, Campos Neto, Joaquim Sucena, João Malheiros, Eliene Lima, José Carlos de Freitas, Sebastião Rezende, Sérgio Ricardo e Mauro Savi.

Votos de R$ 4 milhões

Nas eleições seguintes, segundo detalhou José Riva, cerca de R$ 4 milhões foram necessários para garantir a mesa diretora. De acordo com o ex-deputado, cada parlamentar passou a receber cerca de R$ 250 mil pelo voto. Os valores se repetiram pelas eleições de 2005-2007 e 2007-2009.

Nas eleições da mesa diretora de 2009-2011, cada deputado recebeu entre R$ 300 mil e R$ 350 mil, já que o número de parlamentares que venderam os votos foi menor.

De acordo com Riva, recebram propina por 2005 os deputados Alencar Soares, Carlão Nascimento, Dilceu Dal’Bosco, Pedro Satélite, Nataniel de Jesus, Campos Neto, Joaquim Sucena, João Malheiros, Eliene Lima, Mauro Savi, Sergio Ricardo, José Carlos de Freitas e Sebastião Rezende.

Para a eleição de 2007 teriam sido Dilceu Dal’Bosco, Walter Rabelo, João Malheiros, Chica Nunes, Ademir Brunetto, Guilherme Maluf, Adalto de Freitas, Humberto Bosaipo, José Domingos Fraga, Wallace Guimarães, Mauro Savi, Sebastião Rezende, Airton Português, Campos Neto, Maksuês Leite e Chico Galindo.

Já para a eleição de 2009 Riva citou: : Guilherme Maluf, Chica Nunes, Adalto de Freitas, Dilceu Dal’Bosco, Wagner Ramos, Zé Domingos Fraga, Wallace Guimarães, João Malheiros, Mauro Savi, Sebastião Rezende, Ademir Brunetto, Maksuês Leite e Chico Galindo.

R$ 5 milhões pela cadeira

Mais uma vez eleito presidente da Casa de Leis, José Geraldo Riva afirmou ter desembolsado R$ 5 milhões pela cadeira de 2011. Na época ele teve como 1º secretário o deputado Sérgio Ricardo, que o acompanhava no cargo desde a legislatura anterior.

Conforme o ex-deputado, cada voto a seu favor custou cerca de R$ 400 mil. O valor teria sido pago para Ezequiel Fonseca, João Malheiros, Sebastião Rezende, Wagner Ramos, Baiano Filho, Nilson Santos, Wallace Guimarães, Walter Rabello, Dilmar Dal’Bosco, Zé Domingos Fraga, Guilherme Maluf e Ademir Brunetto.

José Riva esclareceu ao MPE que, apesar de não terem recebido propina, Mauro Savi, Romoaldo Junior, Luiz Marinho e Airton Português venderam os votos de outra forma: trocando-o por cargos.

Consta no documento que os então deputados já visavam um possível afastamento de Riva da ALMT, por decisão judicial. Na época, Sérgio Ricardo também já havia declarado que sairia da Assembleia para assumir cadeira no Tribunal de Contas do Estado.

Encareceu: votos valem R$ 10 milhões

A eleição mais cara detalhada por Riva foi a da mesa diretora de 2013 a 2015. Na época, Riva também foi eleito presidente, tendo ao seu lado o deputado Mauro Savi como 1º secretário.

Ao Ministério Público, Riva assegurou que essa eleição custou, seguramente, cerca de R$ 10 milhões, “uma vez que os deputados exigiram maior propina para eleger o Colaborador, que estava com sua imagem desgastada pela possibilidade de afastamento por decisão judicial”, diz o documento.

Dessa forma, foi necessário pagar R$ 800 mil pelo voto dos seguintes parlamentares: Ezequiel Fonseca, Ademir Brunetto, Guilherme Maluf, Wagner Ramos, Wallace Guimarães, Walter Rabello. Zé Domingos Fraga e Antônio Azambuja (o qual dividiu o valor com o Dep. Mauro Savi a título de empréstimo).

Já o voto dos deputados Sebastião Rezende, Baiano Filho, Nilson Santos, Airton Poruguês, Luiz Marinho, João Malheiros e Dilmar Dal’Bosco valeram entre R$400 mil e R$500 mil, cada.

Para essa eleição, os recursos para o pagamento de propina foram levantados por meio de empréstimos junto às factoring de Junior Mendonça, Valdir Piran e Rômulo Botelho.

Além disso, Wallace Guimarães teria emprestado parte do valor. Ele recebeu o pagamento de volta por meio de empresas gráficas ligadas a ele, segundo Riva.

2015

Em 2015 José Riva já não era membro da Assembleia Legislativa. Ainda assim, ele afirmou ao MPE que houve pagamento de propina na eleição da mesa diretora deste ano.

Segundo o ex-deputado, a negociação envolveu dinheiro e até imóveis entregues a dois parlamentares. Riva ainda afirmou que, até aquele momento, alguns valores ainda se encontravam em aberto.

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