E se não fizéssemos nada? A pandemia ou a raça humana acabaria um dia?

O Brasil tem feito quase nada para frear a proliferação do novo coronavírus. Já pensou no que aconteceria se tirássemos o "quase" da frase?

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Usar máscaras, limpar as mãos com álcool sempre que se toca uma superfície exposta a mais pessoas e, principalmente, deixar de frequentar lugares, praticar atividades ou “se aglomerar”. As medidas que visam a diminuir a proliferação do novo coronavírus são incômodas e questionadas constantemente. Mas e se nós simplesmente não fizéssemos isso, o vírus morreria? Ou nós é que seríamos dizimados do planeta?

Não, a raça humana não seria extinta, mas nós viveríamos uma verdadeira catástrofe.

No cenário mais “favorável”, pelo menos 24 mil pessoas acabariam mortas só em Mato Grosso. No pior deles? O número de vítima fatais só neste pedacinho do Brasil superaria a marca de 95 mil!

Uma comparação para deixar esses números mais “visível”? Nas arquibancadas da Arena Pantanal cabem cerca de 40 mil pessoas. Seriam duas arenas completamente lotadas e mais um pouco.

Imunidade de rebanho

A resposta para a raça humana sobreviver ao coronavírus, mesmo que nós não fizéssemos nada está na “imunidade de rebanho”. É um fenômeno identificado de uma forma mais eficaz quando já existe uma vacina para o patógeno que causa a doença.

Cada vez que o vírus “bate” em alguém imunizado, ele para de ser transmitido. Então, se uma quantidade considerável de pessoas está imune, a doença deixa de existir e, mesmo quem não tomou a vacina está protegido pelas pessoas à sua volta.

De acordo com o Instituto Butantan, de São Paulo, um exemplo real desse fenômeno é o sarampo. Com 95% das pessoas vacinadas contra ele, os 5% que não tiveram a chance de tomar a vacina ainda estão protegidos, porque o vírus não circula mais, então não consegue chegar a essas potenciais vítimas.

80% de infectados

Quando ainda não existe uma vacina para a doença – como é o caso da covid-19 -, a imunidade de rebanho ainda pode funcionar, mas não sem um alto custo. Dá certo porque, após contrair o vírus, você passa um tempo imune a ele.

As pesquisas, até agora, não pontam para um resultado conclusivo. Mas as estimativas, de acordo com uma reportagem publicada no Canaltech, são de que, se você teve um quadro leve ou sem sintomas da covid-19 – como tem ocorrido com a maioria das pessoas -, sua imunidade pode durar cerca de três meses.

E conforme o Instituto Butantan, outras pesquisas mostram que, para a imunidade de rebanho funcionar é preciso que 60% ou até 80% da população contraia a covid-19.

Juntando as duas informações, é possível concluir que isso teria que acontecer dentro dentro daqueles três meses em que a imunidade de um indivíduo parece durar. Passado esse período, a chance de uma pessoa contrair o coronavírus de novo aumenta.

O problema de se tentar adotar essa estratégia, de contamição em massa, está na mortalidade.

De 1% a 5%

Descobrir a real taxa de mortalidade da covid-19 tem sido um problema, segundo reportagem publicada na Revista Galileu. E isso ocorre porque uma quantidade considerável das pessoas que pega a doença sequer fica sabendo.

Inicialmente os pesquisadores estimaram que a taxa de mortalidade estaria entre 3% e 5% dos infectados. Hoje – sabendo dos casos assintomáticos -, alguns estimam que essa porcentagem pode ser bem menor: cerca de 1%.

Qual o custo, então, de se tentar atingir a imunidade de rebanho em Mato Grosso?

De acordo com o IBGE, em 2019, cerca de 3.484.466 pessoas viviam em Mato Grosso. Se 70% – um meio termo entre os 60% e 80% estimados pelo Butantan – desse total de habitantes tiver que contrair a covid-19 para que estejamos todos livres dela, quer dizer que 2,4 milhões de mato-grossenses teriam que ser infectados.

E se consideramos que 1% dessas pessoas iria contrair a forma grave da covid-19 e morrer, estaríamos falando em 24.391 casos fatais da doença.

Até este domingo (5), segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), 821 pessoas morreram vítimas do novo coronavírus em Mato Grosso.

Mas a mortalidade de 1% é apenas estimada, já que não se sabe o número real de infectados. Se formos trabalhar com os dados oficiais sobre a doença, o cenário fica bem pior.

O boletim informativo da SES publicado neste domingo, aponta que a taxa de mortalidade da covid-19 em Mato Grosso é de 3,9%. Isso quer dizer que, se os mesmos 70% da população tiver que contrair a doença para atingirmos a imunidade de rebanho, chegaríamos um total de 95.125 mortes antes de ficarmos todos imunes.

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