Deputados e médicos, eles acreditam que o isolamento social é a principal medida preventiva

Dr. Eugênio , Dr. Gimenez, Dr. João e Ludio Cabral são unânimes em defender a permanência em casa como meio de minimizar a pandemia

(Foto: Divulgação)

Em meio a uma enxurrada de requerimentos e projetos de leis com propostas para tentar conter a pandemia de coronavírus, os quatro deputados estaduais médicos de Mato Grosso, são unânimes em defender o isolamento social como principal medida para prevenir o contágio em massa no Estado.

O doutor Eugênio Paiva (PSB), doutor Luis Amilton Gimenez (PV), doutor João José de Matos (MDB) e o doutor Lúdio Cabral (PT) são os quatro deputados médicos com mandato hoje na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

Lúdio Cabral avalia que o isolamento social é a regra de ouro no combate ao coronavírus, contudo, critica a demora na publicação dos resultados dos casos suspeitos. Ele diz acreditar que os dados divulgados em relação aos infectados não realistas.

Deputado Lúdio Cabral afirma que dados sobre coronavírus em Mato Grosso estão com pelo menos uma semana de demora (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Os dados sociais estão aquém da realidade, são a ponta do iceberg e, no mínimo, para os casos graves, estamos uma semana atrasados da realidade. Como estão fazendo apenas testes para os casos graves e como demoram no mínimo 7 dias para ficarem prontos, então há esse delay [demora]”.

Já o deputado Dr. Eugênio critica as falas confusas do presidente da República, Jair Bolsonaro, e a falta de iniciativas para reduzir o impacto da pandemia entre as pessoas e as empresas.

“Acho que houve uma precipitação na parte governo federal. Falas confusas entre o presidente da República e o ministro de Saúde. Nós temos que ouvir o que vem do ministro, as orientações dele”, defende.

O parlamentar afirma ainda que a preocupação com a situação social precisa ser discutida também.

“Os governos americano, italiano e inglês já tomaram iniciativas pra amenizar o impacto [econômico]. E em nosso país é preciso que o governo federal também tome iniciativas mais eficazes, que venham contemplar a situação econômica e social da nossa população”.

Já o deputado Dr. João sugere protocolos mais claros e objetivos.

“Está faltando uniformizar as condutas. Também temos que levar em consideração que cada cidade tem sua peculiaridade. Contudo, cada gestor está tomando uma atitude diferente, temos que pensar no coletivo, no povo e esquecer toda vaidade política”.

Deputado Dr. João defende que dos R$ 30 milhões doados pela ALMT para combater a pandemia, R$ 20 milhões sejam para ampliar número de UTIs no Estado (Foto: Angelo Varela/ ALMT)

Dr. Gimenez aponta que o equilíbrio é o melhor caminho a ser seguido neste começo de pandemia, mas defende a Saúde como prioridade.

“Você pode levar até muito tempo para recuperar um comerciante falido, mas não se pode recuperar nunca um comerciante que morreu. A economia é importante, sem dúvidas, mas agora é importante salvar vidas”, assevera.

Medidas sugeridas

As propostas apresentadas na ALMT são as mais diversas possíveis desde que se deu início à pandemia de covid-19. São pelo menos 40 projetos e requerimentos já apresentados pelos deputados nas últimas duas semanas.

Dentre as medidas sugeridas está um decreto legislativo apresentado pelo deputado Lúdio Cabral, que susta alguns efeitos do Decreto nº 425, publicado na última semana pelo governador Mauro Mendes (DEM).

A medida havia flexibilizado o funcionamento do comércio, contudo uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso já impediu que o comércio voltasse a funcionar na Capital.

Lúdio também já apresentou diversos requerimentos relacionados ao funcionamento do sistema de saúde durante a pandemia. Em um deles, conta o pedido para que o governo estadual e municipais loquem quartos de hotéis para os profissionais da saúde que trabalham no combate à covid-19.

Isso, segundo o deputado, garantiria mais proteção aos esses profissionais e a seus familiares.

Dr. João sugeriu ao governo a liberação das emendas impositivas. O deputado estima que  são pelo menos R$ 700 mil por parlamentar, que seriam aplicados diretamente na Saúde.

O deputado defende ainda que dos R$ 30 milhões que a ALMT já prometeu devolver para a saúde pública, pelo menos R$ 20 milhões sejam aplicados na ampliação de leitos de UTI no Estado.

“Seriam pelo menos 200 novos leitos no Estado. Bão salvaria a situação, mas já ajuda muito”.

Deputado Dr. Eugênio pediu ao governo que utilize as instalações de um antigo hospital em Barra do Garças para atender possíveis contagiados pelo coronavírus (Foto: Fablício Rodrigues/ ALMT)

O deputado Dr. Eugênio já se reuniu com o governador e pediu que o governo utilize a estrutura do antigo hospital MedBarra, em Barra do Garças, que possui 22 apartamentos. O local seria transformado em um ponto de acolhimento para receber possíveis pacientes contagiados com a covid-19.

“Também conseguimos em Água Boa, junto com o prefeito do município, a disponibilidade de um local que possa atender pessoas que venham a ser acometidas pelo vírus”, relata.

O que ainda pode ser feito?

Na avaliação do Dr. Gimenez, as medidas preventivas contra a pandemia daqui para frente precisam focar, principalmente, na proteção aos idosos e profissionais da saúde.

“Temos também que aumentar o número de leitos, além de reduzir a curva de contágio. Se ela for muito elevada vai implodir o sistema de saúde do Estado. Não temos números suficientes de leitos, de ventiladores mecânicos e nem de monitores. E quiça nem recursos humanos de emergência, como já estamos precisando”.

Em home office, deputado Dr. Gimenez avalia que proteção à economia é importante, mas que a prioridade é salvar vidas (Foto: Assessoria)

Dr. João sugere ainda que o Estado amplie a capacidade de realizar testes nos casos suspeitos de coronavírus, por meio de convênios com laboratório privados nas cidades pólos.

Lúdio Cabral sugere que as medidas de isolamento precisam ser endurecidas e que o Estado dê mais garantias de proteção aos trabalhadores da saúde por meio de equipamentos de proteção individual e oferta de leitos.

Dr. Eugênio pede que o governo avalie com atenção as medidas de quarentena de modo a evitar que o número de contágio seja excessivo no Estado e cause colapso a saúde pública.

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