Covid-19: Letalidade é maior entre servidores do que entre detentos

Boletim da Sesp mostra que ações intramuros estão funcionando, mas as extramuros não

Foto: Arquivo/Agência Brasil

No sistema prisional de Mato Grosso, a covid-19 tem sido mais letal para os servidores públicos do que para os detentos. Conforme dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), desde o começo da pandemia, há um ano, morreram 4 presos e 9 funcionários das unidades prisionais.

Além do número ser desfavorável aos servidores em quantidade, é também em relação à proporção. Enquanto existem cerca de 11,5 mil presos, o que oferece uma média de letalidade de um caso a cada grupo de 2.875, são cerca de 2 mil servidores, o que representa uma morte para cada 222 servidores.

O resultado pode ser um reflexo de que as medidas intramuros estão funcionando. Contudo, as extramuros não. O secretário-adjunto de Administração Penitenciária, Jean Gonçalves, explica que fora da unidade, os trabalhadores estão expostos ao problemas da saúde pública e a prevenção depende deles também.

“O servidor do sistema penitenciário tem a vida dele fora do plantão. Aí, depende muito da consciência de cada um para evitar que ele se contamine. É preciso que se preserve, use máscara e tome as medidas indicadas para que não fique doente ou leve a doença para a família”, afirmou.

Gonçalves ainda explica que desde o começo da pandemia, os trabalhos externos e as visitas aos presos foram suspensas para que o vírus não ultrapasse os portões das unidades. Também foram adquiridos testes e capacitados servidores para aplicá-los.

Mais estatísticas

Os dados do boletim mostram ainda que o número de casos confirmados chega a um terço do total de servidores. Já em relação aos detentos, é inferior a um quinto.

Dentre os servidores que não resistiram a doença, um era do Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos, um era da Coordenadoria de Monitoramento Eletrônicos, um de Alto Araguaia, um de Nova Mutum, um de Várzea Grande, um do Centro de Ressocialização de Cuiabá (Carumbé), dois da Penitenciária Central de Cuiabá (PCE) e um de Água Boa.

Números intramuros

Quatro detentos morreram de covid desde o começo da pandemia, há um ano, em Mato Grosso. Do total, dois óbitos foram registrados na cadeia Pública de Alta Floresta, um na Penitenciária Central do Estado e um na Penitenciária de Sinop.

Os números mostram ainda que 7.834 presos foram testados, sendo que 2.277 testaram positivo, 4.489 negativo e 68 ainda aguardam o resultado.

Atualmente, o sistema prisional está com 78 doentes. As unidades com maior número de doentes é a de Santo Antônio de Leverger onde a doença atinge 14 dos 23 presos, o que representa 60% do total de encarcerados.

Em Barra do Bugres também há 14 contaminados, mas a cadeia tem 349 presos.

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