Botelho e Fábio Garcia disputam candidatura a prefeito de Cuiabá pelo DEM

Democratas aguardam a recuperação do governador Mauro Mendes para decidir quem vai ser o candidato do partido

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre

Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o deputado Eduardo Botelho (DEM) construiu de forma repentina uma pré-candidatura a prefeito de Cuiabá. A disputa interna está sendo travada com o presidente regional da sigla, o suplente de senador Fábio Garcia.

Os dois representam a divisão que existe dentro do Democratas, entre o grupo da Família Campos – liderada pelo senador Jayme e seu irmão, o ex-governador Júlio Campos – e o grupo do governador Mauro Mendes – que, além de Fábio Garcia, inclui o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, e o de Gabinete e de Esporte, Cultura e Lazer, Alberto Machado, o Beto 2 a 1.

Botelho tem a seu favor a força política da Família Campos e o poder de articulação que conquistou nos últimos três anos e meio à frente da presidência da ALMT.

Mas o parlamentar reconhece que sua notoriedade política talvez não seja o suficiente para demover Fábio Garcia do projeto de ser prefeito da Capital.

Fábio desfruta de boa reputação em Brasília, tendo como amigos o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente nacional do partido, ACM Neto. Também bom trânsito na Capital Federal, onde atuou por quatro anos como deputado (2015-2019). Fatores que ele pode usar como uma “carta na manga”, já que Cuiabá deve precisar de ajuda no pós-pandemia.

Desde que virou suplente de senador, Fábio Garcia tem estado relativamente longe do contato com os eleitores (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O xeque mate

A decisão entre Fábio e Botelho deve ocorrer dentro de 15 dias, quando, se espera,  o governador Mauro Mendes deve estar com a saúde restabelecida.

Mendes está internado em em São Paulo, tratando de um pneumonia – doença, aliás, que se tornou comum para quem ocupa o cargo. Pedro Taques é um exemplo e chegou a ser diagnosticado quatro vezes em menos de um ano, mais especificamente em 2017.

O que se sabe até agora é que o DEM anda tendo outro tipo de problema: velocidade para escolher seus candidatos.

Cinco meses atrás, quando o foco era a eleição suplementar ao Senado, o partido decidiu de última hora que lançaria Júlio Campos. Uma decisão que demorou mesmo diante do fato de Júlio já dizer que queria o cargo antes mesmo de a Justiça Eleitoral determinar que haveria nova eleição.

Agora o cenário de pandemia parece ter mudado tudo, já que Júlio aceitou o convite do pré-candidato ao Senado, Nilson Leitão (PSDB) para ser seu suplente. A decisão ainda deve ser referendada pelo DEM.

Novo tabuleiro

Agora, para as eleições municipais, o estresse é o mesmo em relação à velocidade para escolher um nome. Interlocutores afirmam que o problema estaria no excesso de “caciques”.

Há também a tese de que o partido ficou relativamente assoberbado em 2018, quando elegeu um governador, um senador, dois deputados estaduais – ambos com alta relevância  dentro da ALMT: o líder do governo, Dilmar Dal Bosco, e o próprio Botelho, presidente – e isso, de certa forma, teria “saciado o apetite” do partido por cargos no Executivo municipal.

Mas enquanto Mauro Mendes se recupera, Botelho ganha, aos pouco, o fôlego eleitoral que até duas semanas atrás tinha sido roubado pela covid-19. Dos médicos, o deputado tem a expectativa de estar 100% recuperado dentro de dois meses.

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A tosse seca ainda persiste, assim como o mau estar que, ora ou outra, impõe a necessidade de atenuar a rotina no Parlamento. Apesar disso, internamente no DEM, pode ser que esse projeto político se estabeleça mais rápido do que se pensa e Botelho, muito em breve, possa estar mais próximo de respirar outros ares. Ele não nega que prefere o que circula no Palácio Alencastro.

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