Sem prometer curas, terapias integrativas podem fortalecer a imunidade do corpo e da mente

Uso terapêutico de ervas medicinais faz parte da saúde preventiva. No SUS, existem 29 de terapias complementares disponíveis

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A pandemia de coronavírus tem provocado a discussão em torno da necessidade de prevenção. Neste quesito, algumas práticas terapêuticas se propõem à auxiliar na saúde preventiva, unindo conceitos de alimentação saudável, uso de chás, ervas medicinais e práticas que potencializam efeitos imunológicos do organismo.

A terapeuta Cristiane Alves, há cinco anos, trabalha com a terapia do chá. Por semana, ela atende em média 115 pessoas que a procuram para realizar tratamentos com ervas medicinais e terapias integrativas.

Terapeura Cristiane Alves atende 115 pessoas por semana que fazem a terapia do chá (Foto: Divulgação)

Cristiane enfatiza que o chá, diferentemente dos medicamentos industrializados, precisam de um tempo para fazer efeito: são pelo menos 40 dias de desintoxicação e mais 90 dias para que o tratamento apresente resultado.

“Um processo inflamatório, pode ser resolvido com o chá? Sim, mas o infeccioso não. Nem tudo se resolve com chá. Mas este método é bom para um processo de desintoxicação, drenagem de gordura, combater a ansiedade, alinhamento emocional, perda de peso e redução de glicose”, enfatiza.

Mas Cristiane é categórica ao afirmar que somente o chá, sem outras terapias, possui eficácia limitada.

“É importante alinhar os chás com reeducação alimentar e conversação. Muitas pessoas compram um chá e dizem que não resolveu. Não é que o chá não resolve, é que muitas vezes o organismo não está receptivo”.

Imunidade psicológica

O fator emocional é relevante quando o tema é saúde preventiva. “O corpo alcança o que a mente acredita”, defende a terapeuta.

A cozinheira Dária Maria Silva Saturnino, 48, que o diga. Portadora de uma doença autoimune, a psoríase, Dária também sofria de obesidade. Por conta disso, sua vida era bastante limitada.

Como as mãos e pés ficavam comprometidos por conta das lesões provocadas pela psoríase, não conseguia trabalhar. Já o peso elevado comprometia sua autoestima e, com isso, sequer gostava de sair de casa ou posar para fotos.

“Eu busquei o tratamento natural porque minha mão era toda ferida. Eu já tinha feito oito anos de tratamento com remédios e não tinha resultado. Com a terapia, minha mão ficou sem as feridas depois de três meses”.

Dária não conseguia trabalhar por conta das lesões provocadas por uma doença autoimune. Após terapia do chá conseguiu melhorar os sintomas da psoríase e emagreceu 26 kg (Foto: Divulgação)

Na terapia do chá, o processo inflamatório de Dária reduziu bastante. Ela também aprendeu a se alimentar corretamente e agora, 26 kg mais magra, não hesita em tirar selfies e postar nas redes sociais.

Uma nova mentalidade, alinhada a uma saúde mais equilibrada, impulsionou Dária a voltar ao mercado de trabalho. Há um ano, ela trabalha em um restaurante – onde, inclusive, auxiliou o proprietário a desenvolver um cardápio mais nutritivo e saudável por conta da experiência que obteve ao se reeducar na alimentação.

“Minha ideia do que é ser saudável mudou completamente. Hoje, procuro me alimentar com produtos naturais. Desde que comecei a terapia do chá, parei de tomar refrigerante e não foi difícil, comecei a substituir por frutas”.

Jardim medicinal

A fitoterapeuta Isanete Geraldini Costa Bieski, que é doutora em Ciências da Saúde e atua com fitoterapia há 16 anos, desenvolve diversas pesquisas sobre o poder medicinal das plantas.

Fitoterapeuta Isanete Geraldini ministra cursos sobre ervas e estimula o cultivo de jardim medicinal (Foto: Divulgação)

Isanete também ministra cursos livres que auxiliam no conhecimento das ervas e suas propriedades curativas.

“Este trabalho é muito complicado, porque requer o cuidado com a identificação. Geralmente, as pessoas gostam muito de usar plantas, mas desconhecem os problemas que podem ocorrer com o uso incorreto delas. Então, o primeiro passo é a identificação”.

Recentemente, Isanete criou um curso – que custa apenas R$ 30 e tem duração de um mês – e disponibiliza aulas e materiais como vídeo e informativos que ajudam o aprendiz a como utilizar as ervas da melhor forma possível.

O curso, que é feito por WhatsApp, tem uma tarefa especial: a construção de um jardim medicinal.

Veja as dicas como implantar seu jardim medicinal:

“Recebe este nome, porque o jardim fica na frente da casa, enquanto que horta, fica geralmente aos fundos. É importante essa relação com as plantas medicinais. O próprio cuidado do cultivo já é um contato com a natureza e que faz muito bem à saúde. Outra vantagem é poder ter as plantas para usá-las quando precisar ou quando quiser”, destaca.

Prevenção

No quesito fortalecimento imunológico, Isanete ressalta que a maioria das plantas, quando utilizadas na forma de chá, auxiliam neste processo, porque uma das principais funções dos chás é eliminar as toxinas do organismo.

“Existem plantas que são melhores de manhã. Ao acordar, o ideal são os chás que vão te estimular. Após o almoço, é melhor os chás que vão melhorar a digestão e acelerar o metabolismo, e que ajudem a eliminar as toxinas. À noite, o ideal são os chás mais relaxantes, para que se possa desacelerar e ter um sono melhor”.

Isanete reforça que o uso de plantas medicinais são “excelentes” no fortalecimento da imunidade, como o alho, o alecrim, o chá verde, o gengibre, o limão e o hortelã.

O alho, por exemplo, pode ser utilizado pela manhã em jejum, cru.

“Basta cortá-lo em quatro pedaços e engolir com água. Cinco vezes por mês é suficiente para aumentar a imunidade”.

O alecrim e a hortelã podem ser utilizados como chá. E o alecrim, além de fortalecer a imunidade auxilia na produção de neurônios. O gengibre, assim como o limão, podem ser tomados com água, ela explica.

O cuidado integrativo

O historiador Luiz Gustavo de Souza Lima Júnior é doutor em Estudos do Contemporâneo e sua tese, defendida em 2018, na UFMT, trata sobre “a produção de saberes”. Ele pesquisou as práticas integrativas e complementares – que por muito tempo ficaram conhecidas como “medicina alternativa”, mas cujo termo caiu em desuso, pois, as diversas terapias existentes se demonstram como caminhos de prevenção e complementariedade, não como alternativa.

“Tudo se complementa. Se as práticas integrativas não conseguem prevenir, também podem atuar como complementar. É a comunhão de saberes em busca da cura. Olhando para as condições de saúde do indivíduo”, defende o pesquisador.

(Foto: Divulgação)

Atualmente, o SUS disponibiliza 29 PICS em mais de 3,7 mil municípios brasileiros e em todas as Capitais, inclusive em Cuiabá. Entre as práticas estão a apiterapia, aromaterapia, constelação familiar, homeopatia, yoga, entre outras.

“O cuidado precede o medicamento. Crescemos com uma falsa ideia de saúde, de que esta seria apenas a ausência da doença. Devemos olhar para o organismo como um todo. Olhar mais amplo e a saúde não é acessar o medicamento, pelo contrário, isso se dá quando o corpo já está doente. A ideia é trabalhar o corpo saudável, o corpo que dança, que constrói, que escreve e poetiza a vida, que tenta usar o mínimo de equipamentos e medicamentos invasivos”, pontua.

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