Segunda onda de covid-19: será que ela chega em MT?

Aumento de casos no Sudeste do País acendeu o alerta, mas os números em Mato Grosso mostram que ainda sequer saímos do pico

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Já entre os assuntos mais comentados do país, a segunda onda de contágio pelo novo coronavírus não é um consenso para o governo de Mato Grosso e nem para especialistas em saúde. A subida de casos em São Paulo e Rio de Janeiro acende o alerta no Estado, mas assim como na primeira fase, cada região tem características próprias. 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) afirmou ao LIVRE que os fatores para análise de difusão do vírus vão desde o clima à manutenção ou não das medidas protetivas. E o tempo quente e úmido da região Centro Oeste é considerado um componente que altera o comportamento do novo coronavírus, mas ainda não se sabe exatamente como. 

Aponta também que a circulação de tipos mutados do Sars-Cov 2 deixa em aberto a hipótese de quem pegaria o vírus numa eventual segunda onda e que faixa etária estaria mais exposta ao contágio, assim como ocorre até o momento, quando os cuidados maiores são com pessoas com comorbidade com idade igual ou superior a 60 anos. 

“É possível que haja uma ‘segunda onda’ em Mato Grosso, contudo, tal perspectiva depende dos vários fatores já expostos. Por isso, há o monitoramento constante da evolução do número de casos, óbitos e população afetada, bem como do número de leitos ocupados; esses indicadores dão a oportunidade de prever uma tendência de crescimento em tempo oportuno”, pontua. 

Primeiro é preciso sair do pico

O médico Alexandre Machado, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), se atenta mais ao gráfico de casos. Ele diz que para entrar em uma segunda onda é preciso encerrar ou menos reduzir a primeira. E Mato Grosso continua no pico, embora os números estejam abaixo da estimativa feita para o período. 

O Painel Saúde Covid-19 administrado pelos departamentos de Saúde Coletiva e Matemática da UFMT mostra que, pela estimativa, Mato Grosso deve ter registrado pouco mais de 160 mil casos até o dia 24 de novembro. Já o acompanhamento de casos reais mostra que, até o momento, cerca de 155 mil casos oficiais. 

(Foto: Reprodução/Painel Saúde Covid-19/UFMT)

Conforme o professor Alexandre Machado, a dinâmica dos vírus mostra que, enquanto não houver uma vacinação para imunização em massa, a circulação e, consequentemente o risco de contágio, pode durar anos. 

Isso significa que qualquer aglomeração pode potencializar a difusão do vírus em magnitudes variadas. Se a eleição no primeiro turno aumentou a propagação, é uma pergunta que só poderá ser respondida daqui uma semana, assim como as festas de fim de ano podem contribuir para a subida do gráfico. 

“São eventos diferentes, porque o Natal é mais familiar, é uma aglomeração mais restrita. Mas, o ano novo, o carnaval concentram mais pessoas. Mas não dá para falar agora como vai ser. Mas a dinâmica do vírus é que aglomeração pode difundir o vírus. É assim com o coronavírus e qualquer outra doença transmitida por humanos”, explica. 

O aparato de combate fica!

Conforme a SES, uma eventual segunda onda de contágio está sendo medida pela taxa de ocupação dos leitos exclusivos para covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS). Até segunda-feira (23), taxa de ocupação estava em 33,5% para Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) adulto e em 15% para enfermarias adulto. 

Ainda conforme a secretaria, hoje existem 278 leitos disponíveis de UTI e 748 de enfermaria. Os leitos da rede SUS seguem abertos de acordo com o cenário do Estado”.  

Quanto ao Centro de Triagem, instalado em Cuiabá, a SES informou que não há previsão de data para o encerramento das atividades. Questionada sobre ampliação da rede de triagem para outros municípios, a secretaria informou que as prefeituras são as primeiras responsáveis pelos atendimentos básicos. 

O governo leva em consideração a perspectiva de que o cenário da pandemia se altera no começo de 2021, quando vacinas em fase de conclusão de estudo possam estar no mercado.

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Secretário de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo disse nesta segunda-feira (23) que o governo já tem dinheiro em caixa para a compra de doses, caso seja necessário a participação direta do Estado na negociação com a China. 

“Esperamos que a vacina esteja dentro do plano nacional de imunizações, mas o governador já anunciou que, caso seja necessário, nós temos recursos para comprar nossas vacinas e distribuir para a população”, disse. 

O boletim informativo divulgado no fim da tarde ontem pela SES mostra 155.452 casos confirmados para a covid-19 em Mato Grosso desde o início da pandemia. A grande maioria (145.814) são considerados curados. O número de mortos chegou a 4.067. 

A análise sobre a taxa de casos nos 141 municípios diz que o risco no momento está controlado, ou seja, a propagação é em nível baixo. 

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