Riva fecha delação e entrega esquema de 20 anos envolvendo 38 deputados

Mais de R$ 213 milhões em dinheiro público podem ter sido usados para comprar votos de parlamentares

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o ex-deputado estadual José Riva, enfim, teria conseguido assinar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (MP).

Em seus depoimentos, Riva teria revelado uma série de esquemas de compra de votos envolvendo governo do Estado a ALMT que duraram 20 anos – o período em que ele esteve no Parlamento – e pode ter desviado mais de R$ 213 milhões dos cofres públicos.

Dinheiro que, segundo o ex-parlamentar, foi distribuído a, pelo menos, 38 deputados.

A notícia sobre a delação foi dada pelo Jornal A Gazeta que circula nesta sexta-feira (31). Segundo a reportagem, a compra de votos dos deputados servia para aprovar projetos de lei de interesse de três governadores que passaram pelo Palácio Paiaguás e também os que elegiam as mesas diretoras da própria ALMT.

As eleições internas do Parlamento – para escolha do presidente, primeiro-secretário e outros cargos – teriam custado aos mato-grossenses, de acordo com o revelado por Riva, cerca de R$ 38 milhões.

Outros R$ 175 milhões teriam sido distribuídos aos deputados ao longo de três governos: Dante de Oliveira (1995-2002), Blairo Maggi (2003-2010) e Silval Barbosa (2010-2014).

Quase lá

Ainda de acordo com a reportagem de A Gazeta, José Riva já conseguiu convencer o Ministério Público de que tem provas que sustentam essa delação, mas os depoimentos e documentos entregues ainda precisam ser homologados pelo Poder Judiciário.

A missão estaria nas mãos do desembargador Marcos Machado.

Além de delatar outros envolvidos no esquema – a reportagem não trás os nomes dos 38 deputados – Riva ainda teria se comprometido a devolver cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos.

Riva tenta fechar um acordo de colaboração com o Ministério Público há anos. A primeira tentativa teria ocorrido ainda em 2017, mas acabou anulada diante da suspeita de que ele teria obstruído as investigações, falsificando documentos que foram entregues.

O caso, na época, foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF).

O que dizem os citados?

A reportagem do LIVRE segue tentando contato com as assessorias dos ex-governadores Blairo Maggi e Silval Barbosa, a família de Dante de Oliveira (já falecido) e a defesa do próprio ex-deputado José Riva.

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