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Polo do agronegócio, Rondonópolis concentra ¼ das pessoas em situação de rua de MT

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André Souza

Pouco mais de 1/4 das pessoas que vivem em situação de rua em Mato Grosso estão concentradas em Rondonópolis, cidade que fica a 218 km de Cuiabá e é um dos pólos do agronegócio. Ao todo, o Estado tem quase 2,5 mil pessoas nesta condição.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a população sem moradia cresceu 140% a partir de 2012, chegando a quase 222 mil brasileiros em março do ano passado.

A tendência, segundo o instituto, é que o número aumente ainda mais com a crise econômica acentuada pela pandemia de covid-19.

Boom‘ da urbanização

Para o geógrafo e pesquisador da UFMT, Dennys Freire, o aumento das pessoas em situação de rua está ligado ao processo de urbanização acelerado – e, por vezes, desenfreado –, dos municípios de Mato Grosso.

É que, segundo Freire, esse processo de urbanização culmina em uma maior concentração de capital e de terras. Além desses, outros fatores devem ser levados em consideração: “uma mentalidade competitiva do mercado de trabalho formal, fator que influencia para as contradições que são essas desigualdades sociais”, diz.

(Foto: João Reis/Setasc)

Rondonópolis e Cuiabá passam por esse “boom de urbanização” desde os anos 80. No Estado, as duas cidades são as que mais concentram pessoa em situação de rua: são 643 e 546, respectivamente. Sinop (426), Várzea Grande (144) e Sinop (116) aparecem em seguida.

Os dados são do painel de Vigilância Socioassistencial da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).

Polo do agronegócio

Segundo Dennys, Rondonópolis se tornou um grande polo do agronegócio por causa da soja, atraindo assim mão de obra para o município. Com o desenvolvimento, a cidade passou ter a centralização de alguns serviços na região sudeste, em comparação com outros municípios do entorno.

“Então veja: esses condicionantes contribuíram para o inchaço populacional e consequentemente a falta de emprego. Além disso, a desvalorização que ocorre com os trabalhadores informais contribui para o aumento da pobreza”, explica.

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Há, porém, uma ressalva. Na maioria dos casos, as pessoas em situação de rua são dos próprios municípios, desmentindo a falácia do “turismo de rua”.

“Na real, aqueles que estão nesse processo de nomadismo foram forçadas a sair dos seus municípios, muitas vezes, em busca de uma melhor qualidade de vida, questões de violência ou estão numa lógica precarizada do trabalho informal”, destaca.

De acordo com os dados do governo, metade da população em situação de rua associou a situação ao desemprego. O alcoolismo também foi uma das principais respostas.

Mapa de apoio

(Foto: Edson Rodrigues/Especial para o LIVRE)

Pesquisador da UFMT, Dennys desenvolveu um mapa para auxiliar o encaminhamento de pessoas em situação de rua em Cuiabá. A ferramenta fica à disposição das redes de atenção com o objetivo de facilitar o acesso a informações sobre os serviços ofertados pelo munícipio.

O mapa apresenta a localização e referências a respeito do tipo de atendimento como, por exemplo, centros de saúde, espaço para alimentação, albergues e acolhimento psicológico.

“O mapa, por ser um georreferenciamento, enquanto geógrafo, me permite realizar diversas leituras socioterritoriais, o que proporciona reflexões sobre a produção de políticas públicas e planejamento urbano”, destaca.

O objetivo é manter o mapa atualizado sobre os tipos de serviços e programas desenvolvidos, além de referenciar outros tipos de atendimento como os da Defensoria Pública.

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