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Mendicância e criminalidade: moradores de rua tomam conta de várias regiões de Cuiabá

Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

Quem trabalha no Centro de Valorização da Vida (CVV), na região central de Cuiabá, já perdeu as contas de quantas vezes o local foi arrombado e roubado por criminosos. Foram duas vezes somente em 2020, a primeira no início do ano e a segunda no fim do ano.

Como em todas as demais ocasiões, nas duas últimas as portas foram quebradas, forro e telhas estourados e o prédio revirado. 

“Não tem nada de valor aqui dentro. A maior preocupação é com a segurança dos voluntários e com o prejuízo que ficam com as invasões: telhas e forros quebrados,  paredes sujas…”, disse o coordenador do CVV, Homar Capistrano Mustafa Yusuf. 

Na virada do ano, a casa de um casal de idosos foi arrombada no bairro Araés. Os bandidos também reviraram os quartos e levaram o que encontraram de valor pela frente. 

A escola municipal Juarez Sodré de Farias, no Araés, também foi arrombada inúmeras vezes em 2020 e os ventiladores de teto, diversos equipamentos e até as merendas das crianças foram levados pelos invasores à luz do dia. Apenas em uma tentativa os vigias da escola conseguiram abortar o assalto. 

O fator comum dessas três ocorrências é a proximidade dos locais a pontos de concentração de pessoas em situação de rua. O fluxo delas varia conforme as datas do ano e a presença da força policial. Mas a insegurança se mantém e fica mais intensa de acordo o fluxo. 

Homar Yusuf diz que as invasões ao CVV no ano passado não foram ocorrências isoladas. Em anos anteriores, outros episódios já haviam ocorrido. E quando a polícia não aparece no local, apenas um boletim de ocorrência é registrado.  

“A região do posto é bem próxima ao Centro Histórico de Cuiabá; há, infelizmente, ainda muitos usuários [de droga]. O que nos preocupa, naturalmente, é a própria segurança física dos voluntários”, pontua. 

O mesmo problema é apontado pela direção da escola Juarez Sodré de Farias. A localização próxima aos pontos de concentração de usuários de droga torna o risco constante.  

“A circulação não muda muito; a polícia vem faz a fiscalização, diminui o número de gente, mas daqui a pouco eles todos voltam”, disse um funcionário, que preferiu não identificar. 

Na região do Morro da Luz, pedintes abordam os motoristas nos semáforos (Foto: Edson Rodrigues/Especial para o LIVRE)

Audiência de custódia e soltura

O comandante do posto da Polícia Militar no Centro Histórico de Cuiabá, capitão Suárez, diz que existem vários pontos críticos com um elevado número de moradores de rua. O trabalho da PM se restringe à demanda: a ocorrência surge e ela é acionada para averiguar. 

“Se ocorre um furto, um roubo e nós identificamos a pessoa descrita pela vítima com as mesmas características e com o produto, nós detemos esse suspeito e o levamos para a delegacia. Lá, o delegado analisa e situação e, geralmente, manda para a audiência de custódia”, explica. 

Em algumas situações, o suspeito não pode ser detido por força de lei e assina um termo circunstanciado que o obriga a prestar informações à Justiça. Fora isso, as etapas de circulação de pessoas, concentração e eventos de criminalidades acabam entrando em um ciclo com vários recomeços. 

“O fluxo de pessoas aumenta conforme os locais e as datas, por exemplo: se há bastante gente na rua indo a uma área de lojas, o fluxo de pessoas de rua vai aumentar por ali. A Black Friday se tornou uma data em que isso ocorre”, pontua o comandante. 

O capitão Suárez diz que a legislação penal brasileira autoriza a prisão de pessoas em flagrante para casos de força ofensiva mais grave, como roubo e tráfico de drogas. Ademais, a situação é tratada com medidas de policiamento de rua e prevenção privada.

O centro de Cuiabá é uma das regiões com maior concentração de moradores de rua (Foto: Edson Rodrigues/Especial para o LIVRE)

Situação irremediável

Um policial que abordou a reportagem durante a apuração da pauta disse, em sigilo, que a situação de concentração de pessoas é “irremediável”.

A reclamação da polícia é de que a detenção não impede que a concentração e a criminalidade cresçam novamente. 

“A gente prende, a Justiça solta. Isso aqui não tem jeito. O que estamos tentando construir é uma relação pacífica. A gente diz pra eles: vocês não roubam e a gente não prende vocês”, confidenciou. 

Além do Centro Histórico, Morro da Luz e bairro Araés, em Cuiabá centenas de moradores de rua se concentram em regiões como a da Praça Ipiranga, Rodoviária/bairro Alvorada, Avenida Mato Grosso, Avenida do CPA, Avenida Fernando Corrêa/Viaduto da UFMT e bairro Porto.

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