PF cumpre mandados de busca em apartamento de ex-deputado federal

Valtenir Pereira “está tranquilo” e já conversou com o delegado, segundo seu advogado

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Ex-deputado federal por Mato Grosso Valternir Pereira (MDB) teve mandados de busca e apreensão cumpridos em seu apartamento, localizado na Avenida Rubens de Mendonça (Av. do CPA), em Cuiabá, na manhã desta quinta-feira (22).

Ele é o principal alvo da Operação Tapiraguaia, deflagrada pela Polícia Federal. Além das buscas no apartamento do ex-deputado, três mandados de prisão preventiva também foram cumpridos contra outras pessoas.

Valtenir é acusado de cobrar propina de empresários que construíam pontes de concreto em municípios do interior do Estado com recursos federais, oriundos da Secretaria Nacional da Defesa Civil.

Segundo as investigações, entre 2014 e 2016 pelo menos R$ 600 mil foram desviados de obras realizadas em Confresa e Serra Nova Dourada, ambas localizadas a mais de mil quilômetros de distância de Cuiabá.

A Polícia Federal aponta que Valtenir intermediava os convênios entre os municípios e o governo federal e recebia a propina por meio de depósitos em contas bancárias de seus assessores ou de empresas vinculadas a ele.

Defesa

Advogado e irmão do ex-deputado, Valdenir Pereira confirmou que o ex-parlamentar atuou em prol de diversos municípios e disse que ainda não tem informações exatas sobre a denúncia da Polícia Federal.

Segundo Valdenir, o ex-deputado “está tranquilo” e ele próprio já conversou com o delegado responsável pelo caso.

Na eleição de 2018, Valtenir Pereira não obteve votos suficientes para ser eleito. Ele, no entanto, atuou na Câmara Federal neste ano, por um período de 120 dias, quando o titular da vaga, Carlos Bezerra (MDB), se licenciou para tratamento de saúde.

Prefeitos

Além de Valtenir Pereira, os ex-prefeitos de Confresa, Gaspar Domingos Lazari, e de Serra Nova Dourada, Edson Yukio Ogatha, ambos do PSD, são acusados pela Polícia Federal de participar do esquema.

A eles caberia promover licitações forjadas e cobrar dos empresários que executavam as obras o pagamento da propina. Parte do dinheiro desviado ficava com os ex-prefeitos, segundo a PF. O recurso chegava a eles por meio de transferências em contas de terceiros, emissões de cheques, dinheiro vivo e até o pagamento de despesas pessoais.

A reportagem do LIVRE não conseguiu contato com a Prefeitura de Confresa. Na de Serra Nova Dourada, a informação foi de que nenhum mandado de busca ou de prisão foi cumprido no local.