Pedro Henry armou esquema entre FDL e Detran, diz empresário

A afirmação foi feita pelo empresário José Ferreira Gonçalves Neto em depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado

Pedro Henry na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara, em 2009. Foto: Ivaldo Cavalcante

O empresário José Ferreira Gonçalves Neto, sócio majoritário da EIG Mercados (antiga FDL) e alvo da Operação Bereré, afirmou que o ex-deputado federal Pedro Henry (ex-PP) foi o responsável por montar o esquema de corrupção no contrato entre o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e a FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos Ltda. A afirmação foi feita em depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em 27 de março.

Interessado em obter contratos em diversos estados, José Ferreira disse que, em 2008, procurou o então presidente nacional do PP, Henrique Pizzolato, que o orientou a pedir ajuda de Henry para conseguir contrato no Detran de Mato Grosso. Ele disse que Henry providenciou o lançamento do edital e a licitação direcionada para que a FDL vencesse. Em troca, ele relatou que o parlamentar pediu ajuda financeira, que seria paga a Marcelo da Costa e Silva.

Henry acompanhava a licitação de perto. “Pedro Henry perguntava para o interrogando se Marcelo estava trabalhando direito, bem como se estava ajuntando a FDL/EIG a iniciar seus trabalhos no estado de Mato Grosso, sendo que o interrogando respondia que sim, sendo que nessas conversas Pedro Henry sempre cobrava o interrogando, dizendo que precisaria de ajuda financeira em razão do auxílio que estava prestando ao interrogando no Estado de Mato Grosso”, diz trecho do depoimento.

Segundo o empresário, eles combinaram que a propina seria paga por meio da empresa Santos Treinamento e Capacitação de Pessoal Ltda, que receberia 30% do contrato entre a FDL e o Detran. Porém, Marcelo sempre pressionava por mais propina, segundo José Ferreira. Ele disse que, logo depois de assinar o contrato com o Detran, Marcelo pediu R$ 600 mil para entregar a Henry.

Pedro Henry é apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como parte de núcleo de liderança do esquema no Detran. Segundo as investigações, o suposto esquema, iniciado no governo Blairo Maggi (PP), continuou no governo de Silval Barbosa, que passou a ser beneficiário de propina, e foi modificado no governo Pedro Taques (PSDB), quando o primo do governador e então chefe da Casa Civil, Paulo Zamar Taques, assumiu a chefia.

Operação Bereré

O Gaeco deflagrou a Operação Bereré em 19 de fevereiro, para desmantelar um esquema de corrupção no Detran. Em 9 de maio, uma parceria com o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) gerou a segunda fase da operação, chamada de Bônus. Seis pessoas foram presas, entre elas, Paulo Taques, seu irmão Pedro Jorge Zamar Taquesm e o deputado estadual Mauro Savi (DEM).

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorA virada do relógio
Próximo artigoBriga por terra entre quilombolas gera confusão no mundo jurídico