Pandemia: estudantes de MT podem ficar sem moradia e auxílio na Colômbia

Eles foram para um intercâmbio e com o semestre prestes a terminar e fronteiras fechadas, não conseguem voltar, nem se manter no país vizinho

(Foto: Arquivo Pessoal)

Longe das famílias e isolados em outro país: sete estudantes intercambistas de Mato Grosso vivem um drama na Colômbia. Eles podem ficar sem moradia e auxílio financeiro a partir de junho. A volta para casa é uma incerteza, tendo em vista o fechamento das fronteiras no país.

Por lá, os voos internacionais comerciais só devem ser retomados no início de setembro.
Enquanto isso, os universitários se engajam na tentativa de conseguir um voo de repatriação.

Até agora, porém, nenhuma resposta positiva foi dada pelo governo federal.

A jovem Isabelle Fanaia é uma dessas estudantes. Aluna do curso de Rádio e TV da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ela chegou em Tunja, na Colômbia, no final de janeiro.

Pouco mais de um mês e meio depois, as atividades foram suspensa em função da pandemia de coronavírus.

O auxílio de cerca de 540 mil pesos – aproximadamente R$ 700 – é usado para hospedagem e alimentação. A assistência é repassada pela governo colombiano e só será paga até junho, quando o semestre letivo se encerrará.

“Depois dessa data, não iremos receber mais. Isso tem nos deixado bastante preocupados. Não temos condições de nos manter e é tudo muito incerto”, ela diz.

Pedido de ajuda

(Foto: Reprodução)

Pollyana Rodrigues é outra estudante na mesma situação. Também aluna de Rádio e TV da UFMT, ela está instalada na cidade de Cúcuta, na divisa com a Venezuela.

Segundo ela, no final de abril, a Embaixada do Brasil na Colômbia entrou em contato com os alunos.

A informação era de que um voo fretado sairia do país para buscar estudantes colombianos retidos no Brasil. Se houvesse interesse, eles poderiam embarcar. A passagem que custava US$ 450, entretanto, teria que ser paga pelos próprios universitários.

“Com a alta do dólar, fica inviável pagar esse valor. Somo estudantes bolsistas, não temos condições de pagar essa passagem de retorno”, afirma Pollyana.

Por causa da emergência sanitária, as aulas do intercâmbio estão sendo feitas em ambiente virtual. Por isso, a volta para o Brasil sequer representaria perdas no currículo das estudantes.

Para conseguir o retorno, os alunos têm se engajado nas redes sociais, pedindo apoio de políticos e órgãos federais.

“Frustração”

Para as estudantes, a interrupção do intercâmbio é frustrante. Pollyana se preparou com muita antecedência. Para a estadia no outro país, vendeu doces em festas e fez vaquinhas.

“Não tem como colocar a culpa em alguém. É uma situação que foge do controle. Ninguém esperava pela pandemia. Mesmo assim, é frustrante. A sensação de um doce-amargo, mas não vou deixar me abater”, ela diz.

A sensação é a mesma de Isabelle, que sonhou com o momento.

O sonho tem se tornado um pesadelo. Toda essa dor de cabeça para voltar para casa. Essa situação tem afetado nossa saúde mental. Já não temos mais psicológico para lidar com as coisas”, afirma.

Apoio da UFMT

Em nota, a UFMT informou que está articulando com as universidades colombianas a extensão da oferta de moradia e alimentação aos intercambistas, após o final do período de mobilidade.

A universidade diz ainda que segue em contato com órgãos federais, na tentativa de auxiliar os estudantes.

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