Novos prefeitos demoram até seis meses para se adaptar e inexperiência reflete na gestão

Prefeitos e secretários precisam redimensionar os planos de governo para lidar com a situação real dos municípios e superar a falta de experiência

A renovação de gestores públicos é comumente tida como o caminho para a entrada de novos ares na política, mas a falta de experiência e calibre deles podem ser transformados em problema, com peso na prestação de serviços. 

Uma avaliação realizada plataforma de inteligência Gove aponta que os 100 primeiros dias de prefeitos e secretários no cargo pela primeira vez concentram os problemas gestão pública que podem refletir em dinheiro mal gasto e perda de recurso vindos de outras esferas de governo. 

“Há diversas ações urgentes e outras estruturantes que são importantes que o gestor execute neste início de mandato para não perder nenhuma arrecadação. Neste período, eles podem perder algum recurso externo por não saber da existência dele ou por perder algum prazo de envio/reporte de informações”, diz Breno Coelho, líder de relacionamento institucional da plataforma. 

As dificuldades podem ser duplas. Além do conhecimento das necessidades do município que vão administrar, informações que aparecem nos planos de gestão, a montagem da equipe exige que prefeito e assessores tenham algum conhecimento técnico de áreas matrizes, como os limites de atuação, das leis e instrumentos para colocar as ideias em prática e como conduzir a educação, a saúde, etc. 

Ideias e técnicas precisam ser canalizadas para filtrar as promessas de campanhas que são compromissadas, geralmente, com parcas informações sobre a situação executiva. A consulta a servidores com longo tempo de serviço colabora, mas não é comum que ocorra. 

“Os novos gestores querem fazer muitas coisas, mas por não conseguirem ter uma transversal de tudo acabam deixando alguns pontos importantes de fora, erram na priorização de ações. Falta de experiência com gestão pública é uma das causas desses possíveis erros. Outros são: a falta de dados para tomada de decisão e falta de conhecimento técnico para lidar com problemas que são bastante complexos”, pontua Coelho. 

Seis meses de mais erros do que acertos 

O doutor em administração pela Universidade de Brasília (UnB) e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Eber Capistrano Martins, estende o prazo carência para aprendizagem dos novos gestores para 180 dias. 

Nesse intervalo é mais propício que os erros cometidos por falta de experiência sobre as permissões legislativas e desenvolvimento de habilidades para negociar com vários setores. Ele diz que as avaliações não cobertas no período de transição de governos podem virar fantasmas. 

“Agora mesmo temos um exemplo em Mato Grosso do prefeito que assumiu o cargo e tem R$ 200 mil no caixa, mas tem que pagar R$ 2 milhões no final do mês. Ele terá que mostrar habilidade em sentar os setores e negociar uma maneira de lidar com dificuldade financeira”, disse. 

Secretários e assessores com preparo em assuntos públicos são a mão na roda que podem mitigar as dificuldades. Contudo, esse público só se apresentar para serviços pela atração ao plano de governo. Basicamente, precisam ver entendimento do prefeito em áreas que lhe interessam. 

“Eu acredito na boa-fé dos gestores, que eles procuram os secretários e assessores que tenham alguma formação em educação, saúde e qualquer área pública. E a engrenagem da gestão passa pela afinidade política, mas incorporar pessoas à gestão só por quesito político pouco ajuda”, afirmou. 

Capistrano acompanha a gestão de alguns municípios em Mato Grosso há cinco anos e aponta que um conhecimento prévio da gestão pública, se prefeito ou secretário já tiveram experiência no Legislativo, por exemplo, podem ser fator extra.  

Mas, não se limita a esse aspecto, o ensino formal (do ensino básico ao superior) tem seu peso e a participação em órgãos de representatividade também dão sua contribuição. 

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