Na metade do mandato, Pedro Taques trocou um secretário a cada 35 dias

José Medeiros/Gcom

Secretariado na posse

Secretariado de Pedro Taques no dia 1º de janeiro de 2015

Em pouco mais de dois anos de mandato, o governador Pedro Taques (PSDB) fez 21 trocas no primeiro escalão do seu governo, o que equivale a um novo secretário a cada 35 dias.

O levantamento, feito pela reportagem do LIVRE, não considerou os secretários que ocuparam as pastas interinamente – a exceção é o vice-governador Carlos Fávaro (PSD), que está há 10 meses no comando da Secretaria de Meio Ambiente (Sema).

Entre as 19 secretarias e os 5 gabinetes com status de secretaria, 16 tiveram trocas no comando desde 1º de janeiro de 2015. Em cinco delas, mais de uma vez.

Além de muitos remanejamentos e soluções caseiras, Taques também foi buscar na gestão do ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes (PSB) outros nomes para compor seu time. Guilherme Muller, Kleber Lima e Rogério Gallo assumiram pastas equivalentes às que comandavam no município: Planejamento, Comunicação e Procuradoria Geral, respectivamente.

Houve ainda três substituições “forçadas”: os promotores de Justiça Fabio Galindo (Segurança Pública) e Ana Luíza Peterlini (Meio Ambiente), exonerados depois que o STF vetou integrantes do Ministério Público em cargos do Executivo, além do tucano Permínio Pinto, atingido pelas denúncias de fraudes na Secretaria de Educação.

Novo perfil
As mudanças mais recentes promovidas por Taques buscaram dar um novo perfil à equipe, que tinha em sua primeira formação vários nomes distantes do cenário político – uma aposta nos “técnicos”, nas palavras do governador (tecnocratas, segundo a oposição).

A guinada política foi iniciada abertamente em novembro de 2016, com a nomeação do deputado estadual Wilson Santos (PSDB) para a pasta de Cidades.

Recém-derrotado na disputa à prefeitura de Cuiabá, Santos veio ocupar o lugar do contestado arquiteto Eduardo Chiletto, cuja falta de traquejo político virara tema de anedota entre aliados do governo.

O tucano passou a ser o responsável por obras em todo o Estado, mas tendo como missão principal destravar um projeto bilionário e complexo, com potencial para erguer ou derrubar de vez a avaliação de qualquer governo: o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). “Estamos trabalhando para que as obra do VLT sejam retomadas neste semestre”, prometeu o novo secretário.

Outra mudança com perfil político foi a nomeação, em janeiro, do deputado estadual e empresário Max Russi (PSB) para a Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Setas).

O indicado não demorou a mostrar a que veio: como primeira medida, anunciou a criação de uma bolsa de R$ 100,00 para famílias de baixa renda, uma ação assistencialista nos mesmos moldes do programa Panela Cheia, criado pelo governo anterior e descontinuado por Taques no início de sua gestão.

“Iremos trabalhar a família toda como um núcleo, para que todas as áreas sejam desenvolvidas”, assegurou o secretário, que anunciou que fica no cargo somente até março de 2018 para tentar a reeleição.

José Cruz/Agência Brasil

Pedro Taques

Pedro Taques e a mudança de perfil: secretariado técnico ganhou feição políticia

Governo de um homem só
As pastas que mais tiveram secretários sob a gestão de Pedro Taques foram as da Saúde, Segurança Pública, Planejamento, Fazenda e a Casa Militar, com três titulares cada.

Por outro lado, o “curinga” foi o engenheiro civil e empresário do ramo de mineração Gustavo de Oliveira, que foi titular das secretarias de Assuntos Estratégicos e Planejamento, e atualmente responde pela Fazenda.

Para o cientista político João Edisom de Souza, o número de mudanças é significativo, e indica algumas tendências: a substituição do secretariado técnico pelo político, a aproximação com Mauro Mendes e a delegação de funções.

“Taques passava a imagem que era o governo de um homem só, que não tinha secretariado. Ele ia para o embate e recebia todo o desgaste. Foi o caso da crise com os servidores estaduais”, disse.

Para Souza, a derrota de aliados nas eleições de 2016 em diversas cidades-polo, especialmente na capital, também foi um fator relevante para a mudança na equipe.

“O que o prefeito, o governador e o presidente fazem é política. A equipe tem que ser técnica e o secretário tem que ser político. Um dos governadores mais políticos que tivemos foi Blairo Maggi (PP), que vivia dizendo que não era político”, disse.

Ao trazer os partidos para dentro do governo, afirmou o estudioso, é mais fácil controlá-los. “No começo, ele não queria se misturar com esse povo, mas descobriu que esse povo pode destruir o governo do lado de fora”.

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