Ipea propõe investimento para manutenção emergencial de rodovias

O trabalho foi feito por técnicos e pesquisadores de todas as áreas do instituto e apresenta sugestões para diferentes setores

(Foto: Reprodução/Pxhere)

O Instituto Econômico de Pesquisa Aplicada (Ipea) publicou, em julho, o documento Brasil Pós Covid-19, um conjunto de propostas para ajudar a acelerar o desenvolvimento sustentável do país, fortalecendo a economia e a retomada do crescimento.

O trabalho foi feito por técnicos e pesquisadores de todas as áreas do instituto e apresenta sugestões para diferentes setores, sob quatro pilares principais: infraestrutura, atividade produtiva, inserção internacional e proteção econômica e social da população vulnerável.

Uma das propostas voltadas ao segmento de infraestrutura prevê a aplicação de, aproximadamente, entre  R$ 15 e R$ 20 bilhões em um programa de manutenção emergencial de rodovias.

As obras seriam feitas por meio de licitações simplificadas e gerariam emprego e renda nas cidades cortadas pelas estradas. Para o diretor de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura do Ipea, André Rauen, esta é uma maneira rápida de melhorar as condições da população local.

A manutenção das rotas garantiria ainda maior atratividade para possíveis contratos de concessão, uma vez que a redução do fluxo nas rodovias pedagiadas, nos primeiros meses da pandemia, impactou na receita das concessionárias.

As medidas também teriam reflexo em diversos outros fatores que compõem esse contexto. “São rodovias importantes e duplicações. Além disso, é fundamental para facilitar o transporte, diminuir os custos operacionais dos veículos, melhorando o tempo das viagens e diminuindo o número de acidentes”, analisa Marcus Quintella, coordenador da FGV Transportes.

Historicamente, as empresas de transporte terrestre enfrentam as dificuldades de trafegar por estradas sem qualidade em todo o país. A Pesquisa CNT de Rodovias 2019, da Confederação Nacional do Transporte, constatou piora nas condições de pavimentação, sinalização e geometria em 59% da extensão dos trechos avaliados em 2018.

O estudo abordou a situação das rodovias federais e estaduais sob gestão pública e gestão concedida, e contemplou a análise de 108.863 quilômetros de vias nas cinco regiões do Brasil.

Os danos causados aos veículos resultam em maiores gastos e até prejuízos aos proprietários. Uma pesquisa realizada pela Cobli – empresa especializada em tecnologia, serviços em gestão de frota e logística, apontou que manutenção de carros é o segundo tema mais buscado por gestores de frota, entre os mais de 1000 clientes considerados no levantamento.

“Em um ano, as manutenções podem ser simples e representarem apenas 10% dos custos totais de motos, carros, vans ou caminhões das empresas. No ano seguinte, um dano mais sério, como um problema no motor, por exemplo, pode fazer com que esse valor represente 70% do total”, explica Rodrigo Mourad, presidente da Cobli.

O cenário reforça a preocupação de que os serviços prestados nas obras públicas tenham maior durabilidade e sejam executados por empresas competentes, além de devidamente fiscalizados. “A comprovação de capacidade técnica é fundamental, é a qualidade da obras”, ressalta Quintella.

Saída pela tecnologia

Ainda que existam ações propositivas que podem vir a beneficiar o setor de transportes terrestres em um futuro próximo, os empresários do ramo têm se apoiado em novas soluções para driblar os altos custos da operação e ampliar a produtividade das frotas.

Tecnologias que possibilitam monitorar os carros de maneira remota e on-line estão cada vez mais evoluídas, permitindo fazer uma gestão de frota eficiente a partir da análise detalhada de dados coletados por meio de inteligência artificial.

“É um ganho de eficiência. Empresas que adotam as novas tecnologias antes têm um ganho por mais tempo, mas é inevitável que todas as empresas que sobreviverem adotem tecnologias tão inovadoras”, destaca Mourad.

Os sistemas oferecem aos profissionais o controle exato sobre todas as etapas da operação em campo para atuarem sobre os gastos com manutenção, se precaverem contra multas, avaliarem custos com pedágio, melhorarem o plano de trabalho das equipes e agregarem segurança para os colaboradores.

Fazer o planejamento de rotas com um roteirizador de frotas, por exemplo, permite traçar o melhor caminho para cada demanda, otimizando o custo-benefício para empresas e clientes.

Rodrigo Mourad lembra que esses detalhes da operação interferem diretamente na quantidade de serviços e entregas realizadas em um dia. “Empresas que criam rotas otimizadas conseguem reduzir o ‘vai e vem’ dos veículos rodando de 15% a 30% a menos. Com as informações em mãos, é possível corrigir problemas e reorganizar prioridades para aumentar a produtividade”, finaliza.

Atualmente, praticamente 15% dos veículos comerciais no país são rastreados por estes dispositivos, número bem abaixo do observado nos Estados Unidos, onde a porcentagem chega a cerca de 50% e continua em crescimento.

 

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