Envolvido no caso dos grampos, coronel diz que tomou analgésicos e pede para não depor

    (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

    O coronel da Polícia Militar Zaqueu Barbosa, acusado de participar do esquema de interceptação telefônicas ilegais no Estado – que ficou conhecido como “Grampolândia Pantaneira” – foi o primeiro, dos cinco militares, a prestar depoimento na 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, em Cuiabá.

    Em depoimento, Zaqueu disse que tem vivido à base de analgésicos e que por isso não está confortável para depor. O pedido formulado pela defesa para adiar seu depoimento foi negado pela Justiça.

    Zaqueu, no entanto, ressaltou que, apesar de estar sob efeito de remédio, não deixaria de responder aos questionamentos. Os outros quatro acusados (os coronéis da Polícia Militar Evandro Alexandre Ferraz Lesco e Ronelson Jorge de Barros; o tenente-coronel da PM Januário Antonio Edwiges Batista e o cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira C. Junior) foram retirados da audiência, pois não podem ter acesso ao depoimento de outro réu.

    Zaqueu também disse em juízo que havia ganhado do coronel Celso Barbosa uma placa de escuta. Com isso, ele solicitou que o cabo Gerson analisasse o aparelho.

    Ao magistrado, Zaqueu ainda ressaltou que os relatórios eram enviados por meio de seu e-mail, mas pelo cabo Gerson, sem seu consentimento.

    O coronel garante que os ofícios que eram enviados para as operadoras de telefone não passavam por ele.

    O juiz questionou quem definia os números que seriam interceptados. O militar, no entanto, não respondeu e disse que não era de sua competência tal escolha.

    O coronel disse que todos os números eram acrescentados de acordo com as investigações iniciais. “Nunca pedi para acrescentar nenhum número, porque se eu tivesse feito isso, teria que fazer de forma clara”.

    Zaquel também frisou que se tivessem pedido para fazer “barriga de aluguel”, ele teria negado.

    O réu foi questionado pelo juiz sobre quem era o responsável pelo esquema. “O senhor disse que quem ouvia os áudios era o cabo Gerson. Então ele era o responsável?”, indagou o magistrado.

    Em resposta, Zaqueu disse que isso teria de ser perguntado ao cabo.

    Questionado pelo juiz sobre o nome Sentinela, atribuído ao Sistemade Inteligência, o coronel afirmou que desconhecia a nomenclatura.

    O magistrado questionou o porquê de o cabo utilizar o e-mail do coronel, ele disse que à época isso era irrelevante. “Mas qualquer um pode criar um e-mail em cinco minutos, com o nome cabo Gerson, Núcleo de Inteligência”, contra-argumentou o juiz.

    Crises institucionais

    caso dos grampos ilegais, ocorridos no governo Pedro Taques (PSDB), resultou em 13 pessoas presas, quatro secretários exonerados, nove inquéritos criminais e três crises institucionais. Dois processos sobre o caso correm de forma independente.

    A Justiça Estadual julga os policiais militares, e a ação estava suspensa por decisão do desembargador Luiz Ferreira da Silva. Ele aceitou o argumento da defesa do cabo Gerson, que pediu suspeição contra dois dos quatro coronéis aposentados que formam o Conselho Especial que julga os militares.

    O outro processo está no Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde outubro, quando o ministro Mauro Campbell Marques tirou o caso do Tribunal de Justiça (TJ), onde o desembargador Orlando Perri era relator. Ele analisa a situação de todos os civis suspeitos de envolvimento no caso, inclusive o próprio governador e o primo Paulo.

    Estopim

    O caso dos grampos ilegais só veio à tona com a denúncia do promotor Mauro Zaque, motivado por desentendimentos pessoais. Zaque afirmou ter recebido uma denúncia anônima e alertado o governador sobre os grampos por diversas vezes, desde outubro de 2015 – uma delas usando uma apresentação em PowerPoint, acompanhado do adjunto da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) e também promotor Fabio Galindo.

    Pedro Taques admitiu que Zaque avisou sobre os grampos, mas disse que considerou as denúncias como “fofoca”. Segundo o governador, o ex-amigo se rebelou porque ele se recusou a exonerar Zaqueu Barbosa do comando-geral da PM em 2015, quando Zaque era secretário de Segurança Pública, e a nomear José Antonio Borges como procurador-geral de Justiça, em 2017, quando o promotor não fazia mais parte do secretariado.

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