“Desde o início, sabíamos que seria para sempre”

Conheça a história do casal que há oito meses vende doces no semáforo para comprar casa e se casar

João e Maria. Já existe uma história com esse nome, mas, te garanto, essa é muito mais bonita. Eles se conheceram na escola, ela com 11 anos e ele com 13, e desde então já tinham uma certeza: seria para sempre.

O amor entre os dois venceu as barreiras do tempo e do espaço e tem inspirado quem passa pela Avenida Mato Grosso, em Cuiabá. O motivo? Maria Rafaela, 20 anos, e João Paulo, 23 anos, começaram, há oito meses, a vender doces no semáforo para comprar uma casa e se casar em 2018.

Ednilson Aguiar/Olivre

Maria Rafaela e João Paulo

“Foi algo bem especial quando eu a vi pela primeira vez. Eu senti algo diferente que até hoje eu não sei explicar”, João Paulo

Amor desde pequenos

Eles se conheceram na infância e ambos garantem que desde o começo já sentiam algo muito especial um pelo outro. João afirmou inclusive que foi amor à primeira vista.

“Foi algo bem especial quando eu a vi pela primeira vez. Eu senti algo diferente que até hoje eu não sei explicar”, disse o noivo. “O João, desde então, tem sido um grande amigo e companheiro”, afirmou a noiva.

O sentimento com o tempo só cresceu. Eles foram melhores amigos por oito anos, mesmo tendo certeza que queriam viver para sempre um com o outro.

Durante a infância João, que é mórmon, sempre levava os missionários na casa de Maria, mas, muito católica, a mãe dela não permitia que ela se convertesse.

Até que, em 2013, ele foi para uma missão de evangelização em São Paulo. Nesse período a mãe de Maria permitiu que ela passasse a frequentar a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Durante a missão, os dois começaram a se corresponder por cartas e email, que era a única forma que João, que não podia ter redes sociais, tinha para conversar com Maria.

Ednilson Aguiar/Olivre

Maria Rafaela e João Paulo

Foram oito anos namorando somente com o coração e dois anos oficializados

“Foi um momento muito especial, tem muitas cartas guardadas lá em casa”, disse a noiva.

Toda segunda-feira eles ficavam aguardando a chegada das cartas contando como havia sido a semana de cada um. “E eu achava incrível, que ele me falava as coisas que aconteciam lá. Eu via o crescimento espiritual que ele estava tendo”, contou Maria.

Apenas no Natal e no Dia das Mães, quando João fazia videoconferência com a família via Skype, Maria conseguia vê-lo.

Em 2015, ele retornou da missão e o casal oficializou o namoro, que já dura dois anos.

“Mas entre a gente quase 10 anos”, disse João. “Mas assim, não era namoro, de beijo na boca, era só questão de olhares, sentimentos mesmo, na nossa cabeça nós sempre pertencemos um ao outro, algo assim inexplicável”, completou Maria.

A distância, durante dois anos, segundo João, só deu a prova de que Maria era a pessoa certa, visto que mesmo longe a sentia por perto.

“Eu tive mais uma certeza de que ela era a pessoa com quem eu deveria ficar. Foi mais nítido para mim, saber que eu poderia confiar nela para ser minha futura esposa e mãe dos nossos filhos”.

O segredo para um relacionamento com tamanha cumplicidade e certeza, segundo o casal, é a amizade que construíram antes de aceitarem viver o amor.

“Porque na amizade nós compreendemos um ao outro, aceitamos as diferenças”, disse João.

A venda de doces

Para realizar o sonho de se casar e ter uma casa própria, o casal começou a vender doces nos semáforos de Cuiabá e de Várzea Grande, em maio deste ano.

A ideia surgiu logo depois que ele voltou da missão, quando uma amiga da igreja perguntou para João o que ele estava fazendo para juntar dinheiro para o tão sonhado casamento e ele percebeu que não estava fazendo nada.

Ela contou que viu um casal vendendo água no semáforo e ele trouxe a ideia para Maria, que complementou com as roupas de noivos, para chamar mais atenção.

Ednilson Aguiar/Olivre

Maria Rafaela e João Paulo

Apaixonada por doces, Maria, que aprendeu a fazer cocadas com a mãe, que tinha aprendido com a avó, deu a ideia de venderem doces no sinal.

A família apoiou, mas só depois do susto. “Eles pensaram que nós não iríamos ter coragem de fazer isso. A primeira coisa que nós fizemos foi comunicar os nossos pais, e eles falaram: ‘Ah, se vocês quiserem, cada um com a sua loucura’, foi engraçado”, contou Maria.

“Quando a gente saiu para comprar os tecidos para fazer o vestido dela, os materiais, a cesta, aí eles começaram a acreditar mais”, disse João.

A mãe de João fez o vestido que a noiva usa e os pais de Maria ajudam na confecção das cocadas sempre que podem.

Atualmente eles também vendem água, a pedido dos motoristas que passavam. Mas já venderam também pirulitos de chocolate, palha italiana e uma trufa, que a empresa Louly Chocolate lançou, com o nome João e Maria, para ajudá-los.

Porém, com o calor de Cuiabá, o único doce que resistia ao sol era a cocada, que acabou se tornando a escolha deles para venda no semáforo. A trufa ainda é vendida na Louly e parte da renda é revertida para o casal.

Ednilson Aguiar/Olivre

Maria Rafaela e João Paulo

Com o sucesso do projeto, eles ganharam toda a festa de casamento, “digna de princesa”, como contou Maria. Vários comerciantes do ramo se juntaram e presentearam os noivos.

Como a intenção sempre foi comprar uma casa, não exatamente a festa, eles continuaram as vendas. Apesar de terem passado por vários semáforos da cidade, atualmente eles estão sempre no da Avenida Mato Grosso, entre 8h e 12h, onde afirmam ser o melhor lugar para vender.

Além dos doces, que rendem em média R$ 100 por dia, eles também começaram a trabalhar com um ponto de açaí, no Bairro Araés, e Maria dá aulas em uma escola de dança, afinal, eles querem juntar dinheiro suficiente para pelo menos dar entrada em uma casa própria.

Por já terem ficado conhecidos, as pessoas começaram a perguntar quando seria o casamento, então o casal fez uma placa com a contagem regressiva. Agora faltam 238 dias: o casamento será no dia 27 de julho de 2018.

Os dois sonham com o casamento, o momento em que se unirão e se tornarão uma família. “Nós presamos muito o valor da família e nós queremos formar a nossa”, disse Maria.

“Eu sempre falava pra Maria, quando eu era pequeno, que eu ia casar com ela. Era uma brincadeira nossa. E hoje essa brincadeira está prestes a se tornar realidade”, disse João.

“Eu sei que eu fiz certo em escolher a melhor companheira que eu poderia para minha vida e eu não me arrependo da escolha que eu fiz. E essa escolha vai perdurar por toda eternidade, não só nessa vida”, disse João.

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