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Delay de até 20 dias: entenda como são feitas as estatísticas do coronavírus

Foto de Caroline Rodrigues
Caroline Rodrigues

Um paciente pode ter que esperar até 20 dias – depois de aberto o protocolo de investigação – para descobrir se o seu caso entra no rol dos confirmados ou descartados para coronavírus (covid-19) em Mato Grosso.

Isso significa dizer que, até este caso entrar no Boletim que a Secretaria de Estado de Saúde divulga três vezes por semana, muito provavelmente, este paciente já estará curado. O período de duração da covid-19 no ser humano é de aproximadamente duas semanas.

Isso acontece devido ao processo de formulação das estatísticas, que são complexos e afetados por uma série de variáveis.

Os obstáculos para se atingir a instantaneidade começam pela identificação e preenchimento adequado dos requisitos pelos médicos e passam até pela distância entre o município onde a pessoa supostamente infectada está e o laboratório, seja oficial ou credenciado.

E ainda tem que se considerar a disponibilidade de técnicos para manipular os materiais colhidos desse paciente.

Secretário-adjunto de Vigilância e Atendimento em Saúde, Juliano Melo explica que todos os dias é realizado um censo telefônicos nos 141 municípios de Mato Grosso. Por esse mecanismo, são anotados os casos suspeitos de covid-19.

Nesse trabalho também é realizada uma triagem, levando em consideração que nem todos os casos apresentados como suspeitos atendem as exigência do Ministério da Saúde para, de fato, serem considerados suspeitos.

Laboratório central do Estado é um dos responsáveis pelos exames (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Ainda temos muita resistência dos médicos. Eles informam morte de acidente de trânsito como covid e pedem investigação de casos que não configuram síndrome respiratória aguda grave. Na primeira triagem, 80% das notificações são descartadas antes de serem lançadas como casos suspeitos”.

Depois desse processo concluído, são liberados os números de suspeitos que integram as estatísticas periódicas oficiais.

“Nós não inventamos o processo. É algo que acontece da mesma forma em todo Brasil e no mundo”, acrescenta Melo.

Logística complicada

Atualmente, o Lacen, o laboratório da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) têm condições de fazer o exame de confirmação para o coronavírus.

A Secretaria de Estado de Saúde também está cadastrando estabelecimentos particulares, mas, segundo Melo, eles não passam de 2 ou 3.

Um cenário desafiador para o setor de logística, que precisa ir ao local fazer a coleta e depois deixá-la em local adequado.

Na Baixada Cuiabana, as capturas e resultados tendem a ser mais rápidos. No entanto, nas cidades mais distantes, se faz necessário inclusive o uso de aviões.

“Algumas cidades chegam a demandar dias de viagem de carro. Isso se tiver o carro disponível na hora, claro”, alerta do secretário-adjunto.

Melo ainda ressalta que a confirmação precisa de um segundo exame e tudo isso faz parte das exigências internacionais, que são as mesma para todas as doenças.

Como a saúde monta as estratégias

Ciente da demora dos resultados, a Secretaria de Saúde toma como base para decisões imediatas os leitos ocupados e reforça medidas preventivas, independente de estatísticas.

Os técnicos levam em consideração que muitas pessoas podem ter se infectado sem o aparecimento dos sintomas e sequer usado o sistema de saúde.

Vale lembrar que não existe um remédio específico para doença, apenas o combate aos sintomas, alguns semelhantes aos de uma gripe comum.

Por que o corona assusta?

Na opinião do secretário-adjunto, o coronavírus é a primeira pandemia vivenciada pelas redes sociais. Ele lembra que o número de mortes na época do H1N1 também foi alto, mas as redes não eram tão presentes como agora.

Atualmente, o coronavírus matou 822 pessoas no Brasil. Já a H1N1 foi responsável por 7 mil mortes entre 2009 e 2010.

Melo destaca ainda que, apesar a disseminação das fakenews, houve uma participação importante das redes sociais, principalmente para disseminar as ações de prevenção e a necessidade do isolamento social, que não se pode mensurar os efeitos.

“Nós temos uma estimativa de casos, mas não podemos comprovar que ela está menor por conta das ações de prevenção. Porém, mesmo sem número, sabemos que ela contribuiu. Nunca saberemos como seria se não tivéssemos feito”.

Conforme a perspectiva do governo do Estado, o vírus vai aparecer com mais frequência na Baixada Cuiabana, Rondonópolis e Sinop por se tratar de pólos com maior concentração de habitantes e que contam com melhor estrutura de assistência em saúde, o que falta nos demais municípios.

Questões climáticas podem também impactar na proliferação do vírus, porém ainda não existe nada comprovado.

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