Capítulos da suposta trama criminosa trazem encontros em construtora, buffet, churrasqueiras e sacadas

O relato de um complexo esquema de arrecadação de verbas ilegais para a campanha de Pedro Taques em 2014 veio à tona com a derrubada do sigilo da delação do empresário Alan Malouf

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O relato de um complexo esquema de arrecadação de verbas ilegais para a campanha eleitoral vitoriosa de Pedro Taques (PSDB) ao Governo do Estado em 2014, veio à tona na sexta-feira (19) com a derrubada do sigilo da delação do empresário Alan Ayoub Malouf, na Operação Rêmora. Os 20 anexos, cada um com um capítulo do suposto esquema que teria alimentado caixa dois, trazem encontros em churrasqueiras, sacadas, buffet e sede de construtora de Cuiabá.

De acordo com o empresário, durante uma reunião realizada em sua casa em agosto de 2014, Taques teve uma longa conversa com o ex-governador e réu confesso em outro esquema de corrupção, Silval Barbosa. Os dois ficaram por cerca de 40 minutos na churrasqueira, enquanto ele, o ex-secretário de Estado Pedro Nadaf e o empresário Erivelton Gasques os aguardavam longe dali, próximo a piscina.

O encontro teria sido organizado para viabilizar apoio de R$ 10 milhões de Silval à campanha do tucano, que ao longo dos quase quatro anos de mandato, por diversas vezes, acusou o antecessor de lhe entregar uma “herança maldita”, sendo um dos principais responsáveis pelo que não conseguiu realizar durante sua gestão. Alan Malouf disse na delação não saber o teor daquela conversa na churrasqueira.

A sede da construtora São Benedito, de propriedade do empresário Marcelo Maluf, também foi palco de uma reunião relatada pelo delator, mas desta vez envolvendo supostos pagamentos de serviços prestados pelo marqueteiro Antero Paes de Barros, que seriam pagos com dinheiro oriundo de caixa dois.

Conforme o documento, Taques teria participado do encontro, assim como o dono da construtora, bem como Erivelton Gasques e Juliano Bortoloto. O pagamento dos serviços com valores não declarados teria sido ordenado pelo próprio governador. [related_news ids=”108588,108639,108647,108676″][/related_news]

Já uma possível reunião entre o governador e o dono da gráfica, Dalmi Defanü, para tratar de pagamentos nos mesmos termos dos que teria sido combinado com Antero, teria ocorrido na varanda do apartamento onde o tucano morava na época, localizado no bairro Santa Rosa, em Cuiabá.

O Buffet Leila Malouf também teria sido “testemunha” de uma conversa que revela um episódio das supostas tramas que teriam sido arquitetadas pelo grupo. Neste local, em outubro de 2014, que Alan Malouf diz ter indicado ao governador, junto com Júlio Modesto – que depois se tornou secretário de Gestão – o ex-promotor de Justiça Fábio Galindo para compor o staff, mais precisamente, a Secretaria de Segurança Pública.

Na delação, o empresário acusou Galindo de pedir R$ 3 milhões para blindá-lo em investigações, em 2016. Apesar da suposta oferta de Galindo, Alan Malouf foi preso em dezembro daquele ano.

A delação e a operação

Embora tenha sido oferecida em dezembro de 2016, a delação de Alan Malouf foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em abril deste ano.

O acordo foi feito no âmbito da Operação Rêmora, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em maio de 2016 e que desmantelou um esquema de fraudes em licitações de obras de escolas em Mato Grosso.

O esquema foi montado na gestão de Permínio Pinto (PSDB) como secretário de Estado de Educação (Seduc), no primeiro ano de mandato do governo Taques.

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