“A lei impera”: ex-marido que assassinou juíza dentro de Fórum ganha liberdade

Juiz que autorizou progressão de pena foi o mesmo que carregou caixão da vítima: “todas as pessoas precisam ser e serão tratadas por igual”

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre) - juiz Geraldo Fidelis, de Cuiabá

Condenado em 2015 a 18 anos e cinco meses de prisão pelo assassinato da esposa, a juíza Glauciane Chaves de Melo, Evanderly de Oliveira Lima conseguiu, na terça-feira (25), a progressão da pena. Ele passou a cumprir a sentença no regime semiaberto.

A autorização foi dada pelo juiz Geraldo Fidélis, da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, que impôs a Evanderly medidas cautelares.

Ao LIVRE, o magistrado revelou que, durante audiência admonitória com o condenado, ele contou ao assassino que, durante o velório, carregou o caixão da colega. Segundo o juiz, Evanderly limitou-se a abaixar a cabeça.

Questionado sobre seu sentimento e a necessidade de manter a imparcialidade enquanto profissional, o juiz garantiu: “todas as pessoas precisam ser e serão tratadas por igual. A lei impera”.

Glauciane foi morta a sangue frio dentro de seu gabinete, em horário de expediente e na frente de sua assessora. À polícia, Evanderly alegou que teria ido ao Fórum para reatar o casamento. Depois do crime, ele fugiu. Acabou preso três dias depois, em uma região de mata, distante 20 quilômetros da cidade.

Evanderly cumpria pena na Penitenciária Central do Estado (PCE) e agora passa a ser monitorado de forma eletrônica, por tornozeleira. Entre as cautelares estão a proibição de sair de casa entre as 22h e as 6h e a obrigatoriedade de trabalhar.

Ele tem sete dias para procurar um emprego e, caso não encontre, as buscas devem continuar por telefone. Se após 30 dias Evanderly ainda não estiver empregado, poderá voltar à prisão.

O condenado também está proibido de frequentar bocas de fumo, casa de jogos ou de prostituição e de portar armas de fogo. Ele não pode mudar de casa ou sair de Cuiabá e Várzea Grande sem autorização da Justiça.